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Argentina Fome Pobreza Emergência alimentar

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Voluntários distribuem refeições nas ruas da Argentina, em estado de emergência alimentar

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No bairro de Nueva Pompeya, em Buenos Aires, uma dúzia de voluntários estão ativos na distribuição de polenta com molho bolognese. twitter losbarditos

O Congresso da Argentina aprovou nesta semana uma lei de emergência alimentar que permitirá destinar mais recursos aos programas sociais. Em um momento em que o país atravessa uma grave crise econômica, com mais de um terço da população na pobreza, cidadãos organizam iniciativas como distribuição de refeições nas ruas.


Com informações da correspondente da RFI em Buenos Aires, Aude Villiers-Moriamé

A lei que decretou estado de emergência alimentar foi votada por unanimidade no Senado na quarta-feira (18), após passar pela Câmara dos Deputados. A medida contempla um aumento de 50% nas assistências alimentares, equivalente a cerca 8 bilhões de pesos (cerca de R$ 540 milhões).

Enquanto a ajuda não chega ao povo, voluntários se mobilizam para distribuir comida aos desfavorecidos. Diante da fome que aumenta a cada dia no país, iniciativas se multiplicam.

No coração do bairro popular de Nova Pompeya, no sul de Buenos Aires, uma dezena de voluntários da associação "Los Barditos" preparam refeições para a população mais carente. No menu da última quinta-feira (19), polenta e massa à bolonhesa.

"São pratos consistentes para encarar o frio destes últimos dias de inverno", afirma à RFI Jonathan Gagliardi, um dos participantes da iniciativa. Embora seja quase primavera no Hemisfério Sul, os termômetros ainda estão descendo até os 10°C na capital argentina.

"A ideia é lutar contra a crise social e a miséria que vemos nas ruas. Há pessoas neste momento procurando comida na lixeira na nossa frente. É reconfortante ajudar os outros. Mas essa situação inspira revolta e tristeza", reitera.

"Estamos nos arranjando como podemos"

A distribuição de comida organizada por Gagliardi e seus amigos faz sucesso no bairro. A aposentada Norma sempre viveu no local. Nos últimos meses, ela e o marido viram seus hábitos alimentares mudarem radicalmente.

"Compramos produtos das marcas mais baratas no supermercado. Entre as refeições que nos dão aqui e o que compro pelo preço mínimo em um verdureiro, estamos nos arrajando como podemos", conta à RFI.

Já Marcela trouxe os quatro filhos para comer no local. "Geralmente fazemos uma refeição, à noite. No meio do dia, se passamos diante de um açougue que nos dê alimentos que não venderam, podemos cozinhar para o dia seguinte", afirma.

A jovem se mudou recentemente de uma outra província argentina para Buenos Aires e ainda não matriculou as crianças na escola. Ela espera que no futuro a cantina escolar possa alimentar os filhos.

Mais de 14 milhões de pessoas passam fome na Argentina

A Argentina passa por uma emergência alimentar desde 2002, quando o país atravessou sua pior crise. Para combater a fome, medidas devem ser renovadas periodicamente. O atual projeto de lei prorroga o status emergencial até dezembro de 2022.

De acordo com dados da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), a quantidade de pessoas atingidas pela insegurança alimentar no país passou de 8,3 milhões em 2016 para 14,2 milhões entre 2016 e 2018, durante o governo de Mauricio Macri.