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Maioria no Senado americano, republicanos não temem ameaça de impeachment

Esta está sendo uma semana dinâmica na capital americana, com Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, dando sinal verde para abrir uma investigação para um processo de impeachment de Donald Trump. Mas para os republicanos, maioria no Senado, a ameaça é um blefe.

Ligia Hougland, correspondente da RFI em Washington

Isso acontece a pouco mais de um ano das próximas eleições presidenciais, que serão realizadas em 3 de novembro de 2020. Desde que Trump tomou posse, em janeiro de 2017, a ameaça de impeachment por parte dos democratas tem pairado sobre a Casa Branca pelos mais diversos motivos, de envolvimento indevido com a Rússia, a evasão fiscal e insanidade.

No entanto, até agora, a presidente da Câmara, hesitava em colocar a ameaça em prática. Por isso, o público recebeu com uma certa surpresa esse desenvolvimento repentino baseado em uma acusação ainda recente e mesmo antes de os membros do Congresso terem visto o memorando com o relato da conversa telefônica entre Trump e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

O motivo da hesitação de Pelosi é que ela, uma política experiente, está ciente de que esse tipo de ação pode prejudicar seu próprio partido, o Democrata, que quer manter o controle sobre a Câmara nas próximas eleições. Além disso, a deputada pela Califórnia sabe que dificilmente isso resultaria no impedimento do presidente, pois é o Senado, atualmente controlado pelo Partido Republicano, que vota a remoção de um presidente que sofre um processo de impeachment.

Ala progressista democrata quer impeachment

O motivo mais provável para a decisão de Pelosi é que ela tenha percebido que a nova ala progressista dos democratas não foi contida e continua firme na posição pela busca do impeachment - e essa ala cada vez ganha mais peso político.

Entretanto, a presidente da Câmara não colocou a proposta de impeachment para votação, e não parece que os deputados democratas estejam realmente interessados em votar um processo de impeachment, pois seu posicionamento pode mesmo ser arriscado para sua reeleição.

Assim, Pelosi, por enquanto, só deu sinal verde para que houvesse uma investigação quanto à conduta de Trump com o presidente ucraniano, com a possibilidade de isso dar um fundamento sólido para um processo de impeachment. Mas a ação pode ter apenas o intuito de perturbar o foco de Trump na sua campanha pelo segundo mandato.

Os republicanos, por sua vez, estão desafiando os democratas a ir em frente com o processo de impeachment, alegando que isso não passa de um blefe e dizendo que, se os democratas realmente levarem isso adiante, eles perderão a maioria na Câmara.

Opinião do eleitorado

Até recentemente, a maioria dos americanos, cerca de 60%, era contra o impeachment de Trump. Esse posicionamento não está necessariamente relacionado com o atual presidente, mas com a postura quanto a um impeachment de modo geral.

Os eleitores temem que o processo signifique que o Congresso ficará ainda mais paralisado do que já normalmente é, sem fazer nada que de fato ajude diretamente a população. Mas, desde que o conteúdo da conversa telefônica dos presidentes americano e ucraniano foi divulgado– e, nessa quarta (25), a denúncia quanto à troca entre os dois presidentes, que foi feita por um membro da comunidade de inteligência que permanece anônimo, também foi entregue ao Congresso pelo Departamento de Justiça - a opinião pública mudou.

Os apoiadores de Trump dizem que a conversa não podia ser mais inocente, enquanto que seus inimigos políticos dizem que é ainda pior do que se pensava e, certamente, justifica o impeachment. Em uma pesquisa realizada no dia das divulgações, 55% dos consultados disseram ser a favor do impeachment, se for provado que Trump de fato pediu que a Ucrânia investigasse a família Biden em troca de ajuda militar. Mas as informações são muito recentes, e a opinião pública ainda pode mudar, tanto a favor quanto contra o processo de impeachment.

Ameaças veladas

Na conversa com Zelensky, Trump agiu como quando normalmente fala com outros chefes de Estado ou pessoas com que está negociando, usando um tom amigável, porém forçado e veladamente condicional. Lembrar que os Estados Unidos “fazem muito” pelo Ucrânia e, depois desse prefácio, pedir um “favor”, sem dúvida pode ser visto como uma mensagem intimidadora, justificando, assim, uma maior investigação.

Especificamente, o favor era que o governo ucraniano tentasse localizar o servidor do e-mail privado da ex-secretária de Estado, Hillary Clinton, que disputou as eleições de 2016 com Trump. O servidor, que, segundo algumas fontes, estaria atualmente na Ucrânia, foi investigado pela empresa Crowdstrike, contratada pelo Comitê Nacional Democrata, e não pelas autoridades oficiais.

Mais adiante, Trump pede que as atividades de Hunter Biden, filho de Joe Biden, vice de Barack Obama, sejam investigadas. Apesar da falta de experiência no setor de energia, ele foi convidado a fazer parte da diretoria da Burisma Holdings, uma empresa ucraniana de gás natural, chegando a receber um salário mensal de US$ 50 mil, enquanto seu pai era vice-presidente dos EUA.

Ao mesmo tempo em que a conduta de Trump pode levar a uma investigação mais aprofundada e, possivelmente, a um impeachment, isso, sem dúvida, também resultará em uma exposição das atividades da família Biden. O vice de Obama tinha um papel importante nas relações dos EUA com a Ucrânia e, de fato, pressionou o governo ucraniano a demitir o promotor que investigava Mykola Zlochevsky, oligarca fundador da Burisma.

Escândalos favorecem Warren

Além disso, Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova York e advogado pessoal de Trump, já está ameaçando expor mais escândalos envolvendo Joe Biden e a China. Quem, de qualquer forma, sai ganhando com as acusações bilaterais de corrupção é Elizabeth Warren. Recentemente, a senadora de Massachusetts e pré-candidata democrata ultrapassou Biden nas pesquisas e agora ocupa a posição de liderança.

Com possíveis escândalos sendo expostos, Warren não apenas pode conquistar a candidatura pelo seu partido, como também, mais adiante, pode usar a possibilidade de impeachment na disputa contra Trump em 2020.

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