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Brasil e Argentina se unem para facilitar o turismo entre si e para atrair turistas internacionais

Argentina e Brasil vão anunciar em Macau o reconhecimento recíproco de vistos emitidos pelos dois países a turistas chineses. Além disso, querem criar um mercado comum de navios de cruzeiros e vão abordar juntos terceiros mercados.

Márcio Resende, correspondente em Buenos Aires

A parceria Brasil-Argentina para atrair investimentos no setor de Turismo e turistas estrangeiros começa neste domingo (13) no Fórum Global de Economia do Turismo (GTEF), em Macau, na China.

Durante três dias, Brasil e Argentina, os convidados de honra do Fórum, terão a chance de se promoverem como destinos de forma conjunta para os chineses e de atuarem de forma coordenada para a captação de investimentos turísticos entre os maiores referentes mundiais do setor. O Fórum é uma plataforma na qual as autoridades têm contacto direto com os investidores.

Aquele chinês que já tiver visto para entrar nos Estados Unidos ou na Europa terá, automaticamente, o direito de ingressar no Brasil e na Argentina. Flickr/ Creative Commons

Tentação chinesa

Para isso, Brasil e Argentina vão anunciar duas iniciativas que serão implementadas nos próximos meses: aquele turista chinês que tirar um visto para visitar a Argentina, terá, automaticamente, entrada aprovada no Brasil e vice-versa. São os chamados vistos recíprocos.

Além disso, aquele turista chinês que já tiver visto para os Estados Unidos ou para o espaço Schengen terá, automaticamente, o direito de ingressar no Brasil e na Argentina sem a necessidade de outro visto.

Um dos objetivos é atrair parte dos 149 milhões de turistas que a China emite hoje para o mundo. Desses, apenas 60 mil vão ao Brasil. Um número que pode ser multiplicado rapidamente, conforme explica à RFI o presidente da Embratur, Gilson Machado Neto.

"Estima-se que a China, até 2030, emita 500 milhões de turistas para o mundo. A China vai abrir um escritório de Turismo em São Paulo, em novembro. Eu diria que, sendo pouco otimista, podemos dobrar a quantidade anual de turistas chineses ao Brasil", calcula Machado Neto.

A Argentina experimentou um crescimento com duas pequenas iniciativas há dois anos. Passou a conceder visto de 10 anos para o turista chinês e autorização eletrônica de viagem ao turista chinês que tivesse visto aos Estados Unidos ou ao espaço Schengen.

Em 2018, a entrada de turistas chineses aumentou 20% em relação ao ano anterior, chegando a 72 mil turistas. Nos primeiros oito meses de 2019, 50 mil chineses visitaram a Argentina, 8% a mais que no mesmo período de 2018.

"Por ser a América do Sul tão longe para o chinês, ele não viaja só para a Argentina ou só para o Brasil. Combina os dois destinos. Por isso, a ação conjunta dos dois países no Fórum Global de Economia do Turismo, para que o aumento seja muito maior", explica o presidente da Embratur.

"Estaremos juntos com o Brasil em Macau. Termos uma agenda para tratar da aceitação recíproca de vistos e dos investimentos que ampliem o Turismo aos dois países. Teremos um trabalho de promoção conjunta para terceiros países do mundo inteiro. Brasil e Argentina são irmãos turísticos. Vamos trabalhar como se fôssemos um mercado interno", reforça à RFI o ministro argentino do Turismo, Gustavo Santos.

Ministro do Turismo da Argentina, Gustavo Santos, quer rotas comuns de cruzeiros entre Brasil e Argentina Secretaria de Turismo da Argentina

Terra à vista

Antes de viajar a Macau, Gilson Machado Neto passou por Buenos Aires onde aconteceu, nesta semana, a Feira Internacional do Turismo, a maior da América Latina.

Brasil e Argentina querem criar um mercado comum de navios de cruzeiros, ao qual se somaria o Uruguai, com rotas que liguem os três países e com uma legislação unificada que permita atrair investimentos e maior fluxo de turistas. A ideia partiu do ministro argentino e foi acolhida pelo Brasil.

A Argentina alterou a sua legislação e tem recebido um forte aumento do número de cruzeiros. O Brasil tem uma legislação fora do parâmetro mundial que impede o desenvolvimento do setor, algo que o presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, pretende que seja modificado em breve.

"Hoje, o Brasil está numa realidade totalmente hostil às empresas de navios de cruzeiros. Queremos que a mesma legislação que regula 90% dos navios de cruzeiros no mundo sirva para o Brasil para que, assim, possamos concorrer em pé de igualdade com o mundo", explica Machado Neto.

Em novembro, na próxima reunião de turismo do Mercosul, deve ser assinada uma carta de intenção com uma agenda de trabalho. Um dos pontos da carta deve ser o objetivo de criar uma lei de comum acordo entre Argentina, Brasil e Uruguai.

O presidente da Embratur destaca um estudo da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (CLIA Brasil, sigla em inglês da Associação Internacional de Cruzeiros) que aponta aos efeitos derivados de ajustes na regulação, de melhoras na infra-estrutura e no desenvolvimento de novos destinos.

"Se tivermos 20 cruzeiros por temporada, podemos gerar 600 mil empregos diretos e indiretos. É imensurável o potencial que temos. Já há interessados em investir", garante Gilson Machado Neto. "O Brasil é a melhor história de sucesso que nunca aconteceu no ramo de cruzeiros", conclui.

Na próxima temporada, entre novembro e abril, o Brasil terá apenas sete navios a operar em toda a sua costa.

Turismo Rodoviário

E para incentivar o chamado "Turismo Rodoviário", Brasil e Argentina querem integrar, na fronteira, as Polícias e as Alfândegas dos dois países para evitarem as longas filas de carros e ônibus que esperam horas para atravessarem de um país ao outro. Ao saírem de um país, os turistas farão a saída e a entrada no mesmo local numa única tramitação

No ano que vem, também deve ser criada a "Semana do Brasil em Buenos Aires" para divulgar a cultura, os sabores e os destinos brasileiros.

"Estamos procurando fazer no espaço público na Argentina, com participação do poder público argentino, uma grande festa do Brasil, a Semana do Brasil", antecipa à RFI o presidente da Embratur, Gilson Machado Neto.

Presidente da Embratur, Gilson Machado Neto Divulgação EMBRATUR

 

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