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Chile Protestos Desigualdade Crise Ministro Reforma Toque de recolher

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Chile suspende toque de recolher e anuncia reforma ministerial

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Manifestante segura a bandeira chilena durante protesto contra o modelo econômico neoliberal. REUTERS/Pablo Sanhueza

O governo chileno suspendeu neste sábado (26) o toque de recolher que esteve em vigor durante sete dias, desde o início das imensas manifestações contra as desigualdades sociais no país. O estado de emergência poderá ser derrubado neste domingo (27), anunciou o presidente Sebastián Piñera.


"Se as circunstâncias permitirem, vou suspender todos os estados de emergência, de tal forma a poder contribuir à normalização que tanto querem e merecem os chilenos", declarou Piñera no palácio presidencial de La Moneda.

O Chile entra hoje no oitavo dia consecutivo de protestos, um dia depois de a maior manifestação da história do país ocupar o centro de Santiago. Mais de 1,2 milhão de pessoas foram às ruas, para exigir uma sociedade mais justa. Os chilenos reivindicaram mudanças no modelo econômico neoliberal instaurado pelo ex-ditador Augusto Pinochet, que se consolidou no período democrático agravando as desigualdades.

A estudante Javiera Herrera, que participou diariamente dos protestos em Santiago, disse à reportagem da RFI que os jovens não podem mais continuar a se endividar para comprar comida, cuidar da saúde, pagar os estudos. “Como falar de qualidade de vida nessas condições? As pessoas estão saturadas”, desabafou a estudante. “Vivemos dias históricos”, afirmou a manifestante.

Em uma mensagem breve publicada no Twitter, Piñera disse na noite de sexta-feira (25) que "ouviu a mensagem" das ruas.

Neste sábado, o presidente também pediu aos ministros que coloquem seus cargos à disposição, para facilitar uma reestruturação no governo e enfrentar as demandas pronunciadas durante a crise social mais grave que o país já viveu desde o fim da ditadura (1973-1990). Um dos ministros mais criticados pelos chilenos é Andrés Chadwick, da pasta do Interior e da Segurança Pública, primo do presidente.