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Ventos semelhantes a furacão colocam Califórnia em alerta máximo contra incêndios

Por RFI

Várias regiões do estado americano da Califórnia estão sob alerta máximo: a previsão diz que os ventos piorem nas próximas horas e ultrapassem os 110 quilômetros por hora – o que alimenta ainda mais as chamas.

 

Por isso, o Serviço Nacional de Meteorologia emitiu o primeiro "aviso extremo de bandeira vermelha" da história nos arredores de Los Angeles. São pelo menos 11 focos de incêndio em toda a Califórnia e o mais devastador no momento é o do norte do Estado, que queima o condado de Sonoma, área famosa pelas vinícolas. A colheita de uva aconteceu há pouco mais de um mês, portanto produção de vinho de Sonoma e do Napa Vale não será atingida.

Até o momento 76 mil hectares foram queimados – mais de duas vezes o tamanho da cidade de San Francisco, que fica a 70 quilômetros de Sonoma. Esse foco teve início há seis dias, e apenas 15% foi contido até o momento; 124 estruturas, entre comerciais e residenciais, já foram destruídas.

Celebridades desalojadas

Cerca de 185 mil pessoas precisaram sair de suas casas, quase metade da população do condado. O número pode aumentar nas próximas horas por causa da previsão de ventos fortes, que podem ser comparados a força de ventos de furacão.
Outro foco importante queima uma região de Los Angeles, onde até celebridades tiveram que deixar suas casas. O astro do time de basquete do Lakers Lebron James e o ator e ex-governador Arnold Schwarzenegger estão entre os desalojados.
No total, mais de 7 mil pessoas já tiveram que deixar suas casas em torno de Los Angeles.
Esse incêndio está ao norte da cidade, muito perto de áreas como Santa Monica, Beverly Hills, Hollywood. Distante cerca de 10 quilômetros, o fogo por enquanto não chega a atingir essas cidades, mas a fuligem é sentida no ar.

A região é montanhosa, o que dificulta a contenção das chamas: apenas 15% do fogo na área atingida, de 656 hectares, foi contido. Doze casas foram destruídas completamente e cinco, parcialmente.

Nas próximas horas e até quinta-feira (31), os ventos podem ultrapassar 110 quilômetros por hora - e bater recorde de mais de uma década. O vento forte pode levar brasas para quilômetros de distância e e causar outros focos de incêndio.

Museu Getty protegido

Esse foco foi chamado de Getty, por ficar próximo ao Museu Getty, uma das instituições de arte mais importantes do mundo, que, por enquanto, não corre risco. Por estar em uma zona de risco de incêndios, o prédio já foi todo adaptado para evitar que a fuligem danifique as obras de arte.

Investigações apontam que, provavelmente, o foco de Los Angeles começou quando um galho de árvore quebrou durante uma rajada de vento, voou e bateu em uma linha de transmissão de energia e as faíscas desencadearam o incêndio. Durante todo o mês de outubro, milhões de pessoas ficaram sem energia, porque as empresas estão cortando a luz de áreas inteiras por precaução. Nessas últimas horas 600 mil residências foram desligadas – no total, já são pelo menos 2 milhões de casas no escuro.

A companhia Pacific Gas and Eletric foi a responsável pelo incêndio que devastou a cidade inteira de Paradise em novembro do ano passado, depois que o fogo começou em uma linha de transmissão. Agora, a empresa usa essa medida preventiva que deixa os consumidores revoltados, já que estão sem acesso a telefone, gasolina e até o comércio fechou.

Todo o ano, a mesma coisa

Os incêndios na Califórnia são comuns: os piores costumam acontecer no outono do hemisfério norte, principalmente outubro e novembro. Os longos e quentes verões deixam a vegetação ressecada, e o outono é uma temporada de ventos quentes fortes. Resultado: qualquer faísca pode virar um incêndio incontrolável.

Mas apesar do fogo fazer parte da história do Estado, nos últimos anos, o tamanho e a intensidade das chamas aumentaram: 15 dos 20 maiores incêndios da história da Califórnia aconteceram desde 2000, nos últimos 19 anos.

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