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Impeachment Donald Trump Estados Unidos

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Impeachment de Trump ganha novo impulso no Congresso dos EUA

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A Câmara dos Deputados dos EUA votou em uma resolução que estabelece os próximos passos no inquérito de impeachment do presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington, em 31 de outubro de 2019. REUTERS/Tom Brenner

O processo de impeachment que ameaça Donald Trump ganhou impulso nesta quinta-feira (31) após uma votação crucial no Congresso norte-americano, que abre uma nova etapa pública na investigação do caso ucraniano. Segundo Trump, trata-se da “maior caça às bruxas da história”. Depoimentos de diplomatas e conselheiros da Casa Branca tomados a portas fechadas são considerados “explosivos” pelos deputados, que pedem a abertura de audiências públicas.


"É a nossa democracia que está em jogo", disse a deputada democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara. Mais de 20 anos após a última votação que deu início a um procedimento semelhante contra Bill Clinton, a Câmara, com maioria democrata, aprovou uma resolução que possibilita uma estrutura formal a investigações no processo de impeachment de Trump por 232 a 196 votos.

"Hoje, a Câmara avança no estabelecimento de procedimentos para audiências públicas, para que os norte-americanos possam ter uma ideia dos fatos", disse Pelosi, solenemente. "É injusto, inconstitucional e fundamentalmente antiamericano", respondeu a Casa Branca. Oficiais eleitos republicanos denunciaram uma "farsa" que visa atropelar o resultado da eleição de 2016.

Em 24 de setembro, Nancy Pelosi decidiu conduzir seu partido no caminho de um impeachment contra o presidente dos Estados Unidos, após revelações do telefonema entre Donald Trump e seu colega ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Durante a conversa, o presidente republicano pediu ao interlocutor que "prestasse atenção" no rival democrata Joe Biden e nos assuntos de seu filho, Hunter, na Ucrânia. Os democratas o acusam de abusar de seu poder para obter ganhos pessoais, com Joe Biden bem posicionado para enfrentá-lo nas eleições presidenciais de 2020.

Alegando ser alvo de um "golpe", o bilionário e atual ocupante da Casa Branca insiste que a conversa foi "irrepreensível".

Audiências na Câmara

Os democratas já ouviram uma dúzia de diplomatas e conselheiros da Casa Branca a portas fechadas. De acordo com os elementos que vazaram dessa investigação, embaixadores e altos funcionários prestaram testemunhos considerados “destruidores” para a Casa Branca.

Eles revelaram meses de esforços de parentes do presidente Donald Trump, incluindo seu advogado pessoal Rudy Giuliani, à margem dos canais de diplomacia oficial, no sentido de convencer Kiev a fornecer informações embaraçosas sobre Joe Biden.

O conselheiro especialista da Casa Branca, Tim Morrison, também foi ouvido nesta quinta-feira (31). Ele teria testemunhado a pressão exercida por Donald Trump sobre Kiev, colocando uma grande ajuda militar dos EUA em suspenso na balança das “negociações”, segundo pessoas ouvidas no processo.

Morrison renunciou na véspera da audiência, disse um alto funcionário da Casa Branca. Ele trabalhava com o ex-conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, que foi chamado para testemunhar em 7 de novembro, mas ele pode se recusar a fazê-lo.

Trump é obrigado a cooperar se quiser ter demandas atendidas

Além de organizar audiências públicas, a nova medida aprovada permite que os republicanos convoquem suas próprias testemunhas durante a fase de investigação supervisionada pelo Comitê de Inteligência. O texto prevê a transferência de provas para o Comitê Judiciário, responsável pela redação dos artigos de acusação do presidente. Nesta fase, "será permitida a participação de Trump e seus advogados".

A defesa de Donald Trump poderá solicitar mais testemunhos e documentos, interrogar e apresentar objeções. Mas se o presidente se recusar a cooperar com os pedidos do Congresso, suas demandas poderão ser negadas.