rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Linha Direta
rss itunes

Alinhado aos EUA, Brasil deve votar a favor do embargo à Cuba na ONU

Em clima de acirramento das tensões, a Assembleia Geral da ONU votará nesta quinta-feira (7) uma resolução para colocar um fim ao embargo imposto há décadas pelos Estados Unidos a Cuba. Devido ao alinhamento do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, ao governo americano, o Brasil deve votar a favor do bloqueio, rompendo uma tradição de quase três décadas.

Nathalia Watkins, correspondente da RFI em Nova York

A votação deste ano é especialmente tensa. Os ataques verbais entre Cuba e Estados Unidos aumentaram nos últimos dias. O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, denunciou em Nova York que os Estados Unidos "estão adotando intensas ações de pressão e chantagem contra os Estados-membros das Nações Unidas com o objetivo de corroer o padrão de votação".

Ao que tudo indica, o Brasil deve votar a favor do embargo. A mudança de posição faria parte do alinhamento do governo do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, a Washington. Especula-se, porém, que Brasília possa optar pela abstenção, que também seria inédito neste contexto.

Troca de acusações

Na terça-feira (5), o subsecretário de Estado do Hemisfério Ocidental, Michael Kozak, afirmou que "a propaganda do regime cubano na ONU distrai os verdadeiros problemas que o povo cubano enfrenta como as contínuas violações dos direitos humanos, a incompetência econômica e a prisão de ativistas políticos". Já Rússia, China e Venezuela fazem duras críticas contra o governo americano.

Para Cuba, a recente escalada na tensão tem como pano de fundo a campanha presidencial de 2020 e a disputa pelo apoio da comunidade latina, portanto, Havana espera um agravamento das sanções. Já os americanos acusam o governo cubano de buscar um bode expiatório para o fracasso do seu sistema.

Nesta semana, o presidente americano, Donald Trump, incluiu Cuba - junto com a Síria, Rússia e Coreia do Norte - em um memorando que proíbe o uso recursos do governo federal para o intercâmbio educacional e cultural com esses países no ano fiscal de 2020.

Segundo o Ministério cubano das Relações Exteriores, o governo Trump implementou 187 medidas contra a ilha desde junho de 2017. Entre as sanções mais recentes, estão a suspensão de voos diretos ao país (com exceção daqueles para a capital, Havana), a suspensão de cruzeiros, além de restrições de vistos e remessas que cubanos-americanos podem enviar ao país.

Embargo já dura cinco décadas

No ano passado, a resolução foi aprovada por 189 dos 193 países, e apenas os Estados Unidos e Israel se posicionaram contra. A Assembleia Geral vem aprovando desde 1992, por ampla margem, a resolução que pede o fim do embargo econômico, comercial e financeiro a Cuba. A política americana data de 1962, e foi implementada no contexto da Guerra Fria, pouco depois da revolução socialista na ilha. A medida foi transformada em lei pelo Congresso americano em 1992.

A aprovação da resolução não é vinculante e tem caráter simbólico. Desde que chegou a Casa Branca, Trump toma medidas para reverter a abertura iniciada pelo ex-presidente Barack Obama. Agora, espera-se um incremento nas medidas para restringir o comércio, financiamentos e investimentos na ilha.

A previsão é de punições mais pesadas para bancos que terceirizam transações com Cuba em outras moedas, limites de gastos para americanos que visitem Cuba e até o bloqueio de uso de cartões de crédito. Além disso, os Estados Unidos poderiam recolocar Cuba na lista de países que apoiam o terrorismo e reduzir ainda mais as relações diplomáticas.

Bolívia tenta sair do vácuo de poder e evitar cenário de guerra civil

Sob embalo de vitória de Lula, esquerda latino-americana se reúne em Buenos Aires

Deputados árabes de Israel fazem greve de fome contra violência e inação da polícia

Congresso americano começa a votar trâmite de impeachment do presidente Donald Trump

Ventos semelhantes a furacão colocam Califórnia em alerta máximo contra incêndios

Número de refugiados e migrantes venezuelanos no mundo vai superar em breve o de sírios

Uma pedra no sapato de Bolsonaro: o peronismo volta ao poder na Argentina

Argentina: peronista Alberto Fernández pode vencer eleições presidenciais no 1° turno

Espanha exuma restos mortais de Franco, enterrado ao lado de vítimas da guerra civil

Realizando protestos diários, Catalunha monopoliza debate político antes de eleições legislativas

Evo Morales enfrentará inédito segundo turno na Bolívia e perde controle no Congresso

Elizabeth Warren desponta como a pré-candidata preferida dos democratas

Turquia ignora sanções dos EUA e promete intensificar ataques no norte da Síria

Partido ultraconservador vence eleição na Polônia e prosseguirá reformas controvertidas