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Le Monde diz que há mais violência no Brasil que no México

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Mesmo se o narcotráfico não é o único responsável pelos índices de violência, ele aumentou a incidência de armas pesadas no Brasil. REUTERS/Bruno Domingos

Em reportagem publicada em sua edição que chegou às bancas na tarde desta sexta-feira, o jornal Le Monde explica que o número de assassinatos no Brasil é bem superior ao do México. Ao comparar as estatísticas dos países da região, o vespertino constata que os brasileiros detém o recorde mundial de vítimas da violência.


O artigo se baseia nas estatíticas sobre a violência divulgadas recentemente pelas autoridades latino-americanas. Segundo Le Monde, mesmo se atualmente fala-se muito dos assassinatos no México, os mexicanos, com uma taxa de homicídios de 15 a 17 casos para cada 100 mil habitantes, ainda estã muito longe de países como El Salvador, onde esse número pode chegar a 72 assassinatos para cada 100 mil habitantes. Mas para o vespertino, o Brasil, com seus 50 mil assassinatos anuais, detém o recorde mundial, já que do ponto de vista quantitativo, o balanço ultrapassa o dos mexicanos, onde menos de 40 mil homicídios foram registrados.

Le Monde ressalta que mesmo se o Brasil é um país populoso, a regra matemática não justifica o resultado, pois nem a China nem a Índia, bem mais populosos, alcançam o impressionante número de 50 mil homicídios por ano. Mas o vespertino lembra que o contexto brasileiro pode mudar muito em função das regiões do país. “No Estado de Alagoas, a violência é comparável à da América Central, enquanto que outros Estados são tão calmos quanto o Uruguai”, analisa o artigo.

O jornal também tenta entender as causas dessa situação na região. Para Le Monde, o narcotráfico não é a única razão, mesmo as drogas contribuíram para a aumento de armas de fogo de todos os calibres. A artigo explica que brigas e agressões intensificadas pelo álcool também colaboram muito para esse panorama. Para o jornal, a esquerda brasileira subestimou durante muito tempo a falta de segurança, e a polícia sempre privilegiou a prevenção de crimes contra bens públicos, deixando de lado as agressões contra os cidadãos. No entanto, pondera Le Monde, “a explosão de homicídios constitui a violação do primeiro dos direitos humanos: o respeito à vida”.