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Jornal francês denuncia assassinatos de ecologistas na Amazônia

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O líder seringueiro Chico Mendes e da missionária Dorothy Stang AFP/ Montagem RFI

Anos após a morte do líder seringueiro Chico Mendes e da missionária Dorothy Stang, os assassinatos em série de ecologistas na Amazônia brasileira ainda são uma realidade. Na França, o jornal Liberation publicou nessa quinta-feira, uma reportagem que denuncia esse tipo de criminalidade no país. O descontrole do governo brasileiro sobre esses crimes, por causas ecológicas ou conflitos agrários, é colocado em evidência.


Pedro Simão, em colaboração para a RFI

Após o assassinato de Francisco Soares Oliveira, no domingo, e de um casal de ecologistas, mortos no final de Maio, o jornal publicou uma matéria que analisa a problemática do Amazônia rural e remonta as origens históricas desse tipo de crime, geralmente encomendado por madeireiros ou grandes proprietários de terra. O jornal destaca que mais de 800 ativistas foram assassinados somente no estado do Pará, nos últimos 40 anos.

O Liberation critica a "presença governamental quase inexistente" que permite que ocorram todos tipos de acerto de contas, motivados por causas ecologistas, conflitos agrários ou outras razões. O jornal lembra como os grandes proprietários de terras, que geralmente são os mandantes de assassinatos, quase nunca são perseguidos por seus crimes. ONGs como a Anistia Internacional, denunciam justamente essa impunidade, que encoraja a perpetuação da violência.

A reportagem do jornal francês começa com a frase "Eu posso desaparecer do dia para a noite", aviso dado por José Claudio Ribeiro da Silva há alguns meses atrás, antes de ser morto junto com sua esposa em uma emboscada no final do mês de Maio, perto de sua casa, no estado do Pará. O agricultor, que lutava pela preservação da Amazônia, teve até mesmo suas orelhas cortadas, parte do corpo que seria usada como prova do assassinato aos comandantes do crime. Dessa forma a brutalidade e a impunidade em terras brasileiras é exposta para os franceses.

Segundo a Comissão Pastoral da Terra, uma associação ligada à igreja, 125 militantes estão atualmente ameaçados de morte, e as autoridades são incapazes de protegê-los.