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Conferência Meio Ambiente Mudanças Climáticas Negociações Protocolo Tecnologia

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Brasil e China discutem proposta comum para conferência Rio+20

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O embaixador brasileiro André Corrêa do Lago, em Pequim. Foto: Janaína Silveira

Brasil e China, junto com outros países em desenvolvimento, querem afinar o discurso para garantir que o desenvolvimento sustentável seja o novo paradigma do crescimento global e para estabelecer compromissos mundiais, uma espécie de Metas do Milênio, com viés ambiental. A proposta será apresentada na conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) Rio +20, que acontecerá no Rio de Janeiro em maio e junho do ano que vem.


Janaína Silveira, de Pequim

Para isso, o diretor do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais do Ministério das Relações brasileiro, embaixador André Corrêa do Lago, está em Pequim, onde mantém encontros com o governo e entidades chinesas. Ele é o negociador brasileiro nas discussões sobre mudanças climáticas. "O que vai ser importante no Rio de Janeiro é a gente fortalecer o conceito de desenvolvimento sustentável, acordado na ECO 92, e que propõe um modelo de desenvolvimento que prevê um equilíbrio entre a dimensão econômica, a dimensão ambiental e a dimensão social", disse o embaixador.

Segundo o diplomata, o principal descompasso para garantir o desenvolvimento mundial sustentável reside no fato de que os países em desenvolvimento descumprem metas já assinadas em protocolos, como o de Quioto, mas exigem esforços políticos e econômicos de nações em desenvolvimento.

"A grande diferença é que os países desenvolvidos primeiro lidaram com a questão econômica, anos e décadas depois com a dimensão social, e uma vez estas duas dimensões abordadas, entraram na questão ambiental", explicou Corrêa do Lago. "Os países em desenvolvimento têm as três agendas ao mesmo tempo", acrescentou. "Então é muito difícil, é muito complexo, e por isso precisam de mais recursos, mais tecnologias, para assegurar que as coisas andem ao mesmo tempo", declarou o embaixador.

Em tempos de crise, Lago acredita que os países mais ricos têm muito a aprender com aqueles ainda em desenvolvimento, dado especialmente ao fato de que estes últimos precisam não apenas enfrentar diferentes questões ao mesmo tempo, mas estarem atentos a iniciativas ambientais de baixo custo, com as quais podem arcar.

Para além da garantia de metas a serem cumpridas pelos países participantes da Rio +20, Lago sustenta que temas como energia e cidades são fundamentais para o futuro do planeta. Enquanto o primeiro tema demanda grandes aportes financeiros, o segundo pode inspirar ideias e iniciativas de alcance regional, que podem garantir o desenvolvimento sustentável.