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Em Cuba, Dilma reforça laços comerciais e evita direitos humanos

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A presidente DIlma Rousseff recebe flores na sua chegada a Cuba. Reuters

Sem fazer declarações à imprensa, a presidente Dilma Rousseff desembarcou na tarde desta segunda-feira em Havana para uma visita de 36 horas a Cuba. Acompanhada dos ministros da Saúde, da Indústria e do Comércio Exterior e das Relações Exteriores, Dilma deve concentrar sua primeira visita oficial a Cuba ao reforço da cooperação econômica entre os dois países.

 


Nesta terça-feira, Dilma Rousseff se reunirá com o presidente Raul Castro e visitará as obras de ampliação do Porto de Mariel, distante 50 km à oeste de Havana, executado pela empreiteira Odebrecht com crédito brasileiro de 680 milhões de dólares.

A ampliação do porto abre novas oportunidades de negócios para empresas brasileiras interessadas em se instalar no local ou expandir suas operações na América Central. Essas empresas pioneiras poderão se beneficiar, no futuro, de uma possível suspensão do embargo americano à ilha.

Desde 2008, o governo cubano tem adotado uma série de reformas para abrir gradualmente a economia do país a investimentos estrangeiros. 

Em 2011 as trocas comerciais entre os dois países atingiram a soma recorde de 642 milhões de dólares, e o Brasil se tornou o segundo principal parceiro de negócios de Cuba após a Venezuela. Os líderes devem discutir medidas para reequilibrar essa parceira já que as trocas correspondem essencialmente (550 milhões de dólares) às exportações brasileiras para a ilha caribenha.

Durante a visita, o governo brasileiro também poderá negociar a ampliação do envio de médicos cubanos ao Brasil, para apoiar o atendimento no Serviço Único de Saúde (SUS).

Direitos humanos

Apesar da expectativa de que o tema dos direitos humanos fosse evocado por Dilma Roussef, ex- guerrilheira de esquerda e prisioneira política durante a ditadura no Brasil (1964-1985), dissidentes acreditam que a questão não será abordada pela presidente que concentrará sua visita nos assuntos econômicos.

Nenhum encontro com opositores ao regime está previsto, segundo fontes diplomáticas brasileiras.

A presidente visita Cuba 11 dias após a morte do dissidente Wilman Villar devido a uma greve de fome. Ele protestava contra sua condenação a 4 anos de prisão por motivos políticos. O regime cubano sustenta que ele cumpria pena por agressão à sua ex-mulher e teria recebido atendimento médico adequado.

Dilma também não deverá se encontrar com a famosa blogueira cubana Yoani Sánchez que recebeu visto do governo brasileiro para visitar o país em fevereiro mas ainda aguarda autorização de saída de Cuba.

Depois da rápida passagem por Cuba, Dilma Rousseff segue para o Haiti nesta quarta-feira.