rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

OCDE Relações Exteriores OMC Grupo Estado Islâmico

Publicado em • Modificado em

Brasil acompanhará a ONU, diz Mauro Vieira sobre combate ao grupo Estado Islâmico

media
Ministro Mauro Vieira (esquerda) recebe a visita do chanceler iraquiano. Ana de Oliveira/AIG-MRE

O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se manifestou nesta quinta-feira (4), em Paris, sobre o pedido de ajuda do Iraque na luta contra o grupo Estado Islâmico. O apelo teria sido feito em Brasília, na terça-feira, pelo chanceler iraquiano, Ibrahim al Jaafari. Sobre uma eventual ajuda brasileira nos combates, Vieira disse que “tudo o que for feito dentro do contexto da ONU, o Brasil pode acompanhar”.


“O Brasil é parte de todos os acordos internacionais negociados na ONU com relação ao terrorismo”, ressaltou o chanceler. Segundo Vieira, o encontro com o ministro iraquiano foi uma reunião bilateral de consultas em diversos aspectos. “Eles querem recuperar o nível do comércio bilateral, que caiu muito, e manifestaram preocupações em relação ao terrorismo”, completou. No discurso de abertura da Assembleia da ONU de 2014, a presidente Dilma Rousseff condenou o uso da força para resolver os conflitos no Oriente Médio.

Reportagem OCDE 05.06.15 04/06/2015 Ouvir

Sobre a necessidade de aprovar uma lei interna anti-terrorismo, Vieira disse que depende do congresso. “Vai ser aprovada no tempo que o legislativo precisar”. Na terça, também em Paris, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que o Brasil não corre o risco de sofrer retaliações por ainda não ter regulamentado a legislação de combate ao terrorismo no país.

Mauro Vieira participou na tarde desta quinta-feira de seu último compromisso em Paris, um encontro informal de Ministros da Organização Mundial do Comércio (OMC), que reuniu cerca de 30 países-membro. O objetivo foi trocar ideias sobre a situação atual das negociações da Rodada Doha de Desenvolvimento visando a Conferência Ministerial da OMC, que ocorrerá em Nairóbi, em dezembro.

“As posições não são totalmente compatíveis ainda, mas estamos caminhando neste sentido”, afirmou Vieira, na saída do encontro. “Nós continuamos confiantes no sucesso e na conclusão de um acordo em Nairóbi”. O chanceler disse que o Brasil tenta trazer as commodities para o centro do debate: “Insistimos muito que a agricultura é fundamental. Não podemos deixar de lado, discutir outros assuntos e não falar de agricultura”.

Próxima parada, a Itália de Pizzolato

Nesta sexta-feira, Mauro Vieira segue para Roma, onde terá um encontro de trabalho com seu homólogo italiano, Paolo Gentiloni. Em pauta, muitos temas da agenda bilateral Brasil-Itália, mas, sobretudo, assuntos econômicos. Em Paris, o chanceler brasileiro não quis se pronunciar sobre a decisão da Justiça italiana, que manteve nesta quinta-feira a decisão de extraditar o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato. No final da tarde, Vieira disse que ainda não havia sido informado da decisão.

A reunião informal dos ministros foi um dos últimos eventos da semana de seminários da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo que reúne as 34 economias mais desenvolvidas do mundo. Na quarta, o Brasil assinou um Acordo de Cooperação com a OCDE, o que permitirá aprofundar o relacionamento do país com a Organização – uma demanda antiga de setores empresariais brasileiros e que enfrentou resistência do governo ao longo das gestões de Lula e Dilma. Além de Mauro Vieira, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, representou o Brasil.

No pronunciamento de fechamento do evento, o secretário-geral da OCDE, José Ángel Gurría, disse que esta edição foi marcada pela aproximação de parceiros-chave e celebrou os acordos fechados com Brasil e Indonésia. Segundo Gurría, a OCDE agora trabalha para se aproximar da China. No dia 1º de julho, o primeiro-ministro chinês estará em Paris para formalizar o ingresso do país no “Development Centre”, uma espécie de fórum de debates internacional da OCDE. “Isso nos deixa satisfeitos e orgulhosos”, disse Gurría.