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Políticos brasileiros "regados a propina" marcaram 2015

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Capa da revista The Economist datada de 2 de janeiro de 2016. DR

Os jornais franceses de 31 de dezembro de 2015 chegaram às bancas com as tradicionais restrospectivas de fim de ano. O Brasil aparece na cronologia do Libération. O jornal afirma que a presidente Dilma Rousseff, depois de efetuar um brilhante primeiro mandato, passou a viver "um pesadelo" após sua reeleição, no final de 2014.


"O escândalo de corrupção na Petrobras atinge a classe política brasileira, que vive "regada a propina", diz o Libération. O Partido dos Trabalhadores está diretamente envolvido nas denúncias, acrescenta o texto. O jornal assinala a forma como o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, ex-aliado de Dilma, se tornou seu pior inimigo, acolhendo o pedido de impeachment da presidente, após uma onda de protestos nas ruas. Dilma é acusada de maquiagem das contas públicas em 2013, prossegue o texto. Sem conseguir manter o país em crescimento e com uma taxa de popularidade de 8%, "a mulher que sucedeu a Lula enfrenta sua mais dura batalha", conclui o Libération.

Homenagem a Ayrton Senna

Quem também aparece nas páginas da retrospectiva de 2015 da imprensa francesa é Ayrton Senna, homenageado 21 anos após sua morte pelo diário Le Figaro. Com a chamada "aquelas frases que marcaram o esporte", Le Figaro lembra que pouco antes do início da fatal corrida em Ímola, o piloto brasileiro enviou uma mensagem ao rival Alain Prost dizendo que o francês "fazia falta nas pistas" da Fórmula 1. Prost tinha parado de correr na temporada anterior, em 1993, e ouviu surpreso o comentário de Senna.

A "queda do Brasil" na capa da revista The Economist

Além da imprensa francesa, a tradicional revista britânica The Economist dedica a primeira capa de 2016 ao Brasil. Com o título "Queda do Brasil" e a foto da presidente Dilma Rousseff cabisbaixa, a publicação, que estará nas bancas a partir de 2 de janeiro, prevê que o ano de 2016 será desastroso para o país. A revista frisa, logo no primeiro parágrafo da matéria, que o Brasil deveria iniciar o ano num clima de euforia devido aos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, fazendo uma festa espetacular. Mas, em vez disso, o país enfrenta "um desastre político e econômico".

O texto lembra o risco de impeachment de Dilma pelo Congresso, o escândalo de corrupção em torno da Petrobras e a redução da nota de crédito do país pelas agências de classificação de risco Standard&Poor’s e Fitch. A publicação cita também a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, após menos de um ano à frente da pasta, e a estimativa de retração da economia de 2,5% e 3% em 2016, "não muito menor que em 2015". Segundo a publicação, "até mesmo a Rússia, dependente de petróleo e cheia de sanções, deverá fazer melhor".

Ao citar os Brics – grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul –, a Economist diz que o país deveria estar supostamente na vanguarda do crescimento das economias emergentes. Mas, ao contrário, enfrenta disfunções políticas e talvez o retorno de uma inflação galopante. "Somente decisões difíceis podem trazer o Brasil de volta ao seu caminho", afirma, acrescentando que o país deveria realizar reformas importantes como da Previdência e da legislação trabalhista. Mas, na visão da publicação, as reformas não deverão ser colocadas em prática porque "neste momento, Dilma não parece ter estômago para elas".