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Meio Ambiente
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Crises podem afetar o cumprimento das metas do Brasil na COP 21

Por Lúcia Müzell

Em tempos de grave crise no Brasil, a preocupação ambiental passa para segundo plano para muitos brasileiros, inclusive os governos. Desde a COP 21, a Conferência do Clima de Paris, o assunto esfriou, mas o país se comprometeu com uma meta ambiciosa de redução de emissões de gases de efeito estufa, junto à comunidade internacional.

Para chegar ao corte de 37% das emissões em menos de 10 anos, o Brasil vai ter de contar com a colaboração dos municípios e dos cidadãos. Nesta semana, um fórum debate esse desafio: acontece em Fortaleza a 2ª Jornada sobre Cidades e Mudanças Climáticas. O evento é promovido pelo Iclei (Conselho Internacional para as Iniciativas Ambientais Locais) e é a primeira conferência nacional desde o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas, firmado por 195 países na capital francesa em dezembro.

O diretor-presidente do Iclei na América do Sul, Pedro Roberto Jacobi, demonstra preocupação com o quanto o contexto político e econômico delicado no Brasil afeta os projetos ambientais, em âmbito federal. “Do ponto de vista de decisões, eu vejo que, mais uma vez, é um ano em que haverá pouco resultado na política nacional. O cenário de implementação parece que sofrerá um retardamento. A proposta é de reduzir as emissões até 2025, em relação aos dados de 2005, o que significa basicamente cortar o desmatamento”, explica. “Em nível nacional, eu estou bastante preocupado pela interferência que essa crise política e econômica poderá ter na efetiva implementação das ações. É um território em aberto: não se escuta falar nada sobre ações pós-COP 21”, observa.

Papel das cidades na implementação do acordo

Ao mesmo tempo, as cidades brasileiras tomam, pouco a pouco, consciência da importância de promover o desenvolvimento sustentável em nível local. Cansados de sofrer com enchentes, estiagens e outras consequências das alterações climáticas, que provocam destruição e desabastecimento, os municípios tentam encontrar soluções que não envolvam tantos recursos financeiros, mas que os ajudem a se adaptar às mudanças do planeta e evitar ainda mais problemas no futuro.

“Em todas as grandes cidades existem lideranças públicas que estimulam um movimento pela sustentabilidade. Mas o grande desafio é chegarmos a uma gestão mais integrada entre os municípios, se pensamos nas regiões metropolitanas”, constata Jacobi, que também é professor titular do Programa de Graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP).

Mobilidade urbana: um desafio de todos

Uma das questões-chave nas metrópoles é a mobilidade urbana, um tema em que o Brasil registra avanços lentos. A conselheira para o Desenvolvimento Sustentável da embaixada francesa no Brasil, Françoise Méteyer-Zaldine, vai participar do evento para falar sobre a sua experiência internacional no assunto. Ela observa que, no Brasil como na maioria dos países, as metrópoles modernas foram concebidas para dar espaço ao carro, em detrimento às pessoas. Mas essa organização está sendo repensada no mundo inteiro.

“A grande tendência, inclusive no Brasil, é dar de novo o espaço público para as pessoas: os pedestres e ciclistas. É preciso imaginar outras formas de deslocamento, não só com carro. Eu acho que muitas pessoas não estão prontas para fazer isso porque não têm um serviço de qualidade. Ninguém suporta ser transportado como gado!”, comenta. “Quando tem um transporte público eficiente, confortável e seguro, as pessoas não têm resistências para deixar o carro na garagem.”

Méteyer sublinha que, em particular na América Latina e na Ásia, o uso do carro ainda é sinônimo de status social, o que dificulta a mudança de visão sobre o uso dos transportes públicos. O diretor do Iclei ressalta que a mudança da mentalidade dos brasileiros em relação aos temas essenciais para o desenvolvimento sustentável é um passo crucial para a evolução das políticas locais.

“A mobilidade urbana é fundamental, mas a mudança de cultura dos cidadãos sobre os benefícios do uso do transporte público também é essencial. Há uma grande dificuldade em sensibilizar e mobilizar a sociedade, para que ela tenha mais protagonismo e uma prática mais co-responsável, não só na questão da mobilidade como do uso da água e do lixo, por exemplo”, afirma o professor.

Na Jornada das Cidades, a especialista francesa vai apresentar a iniciativa Mobilise your City, acertada na Conferência de Paris. O objetivo é reunir 100 cidades do mundo para pensar sistemas sustentáveis de transporte urbano, a partir de um plano de mobilidade. Por enquanto, a única cidade brasileira que aderiu à ideia foi Curitiba.

 

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