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Reportagem
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Votacão do impeachment não confirma lei da probabilidade

Por Adriana Brandão

A matemática pode ser aplicada a todas áreas, inclusive à política? Segundo o matemático francês Etienne Ghys, a resposta é sim. Ele aplicou teoremas para analisar a sessão de votação da abertura do impeachment de Dilma e diz que a votação na Câmara não confirma teoremas da lei da probabilidade.

O matemático Etienne Ghys especialista da “teoria do caos” http://geometrie.math.cnrs.fr/

Ao assistir a votação pela abertura do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados no último dia 17 de abril, o matemático francês Etienne Ghys não pôde deixar de se lembrar da teoria da probabilidade. Um matemático, mesmo quando assiste a um debate político pensa em matemática explicou Etienne Ghys, em um artigo publicado no suplemento de Ciências do jornal Le Monde.

O professor da Escola Normal Superior de Lyon fez parte da sua formação no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), do Rio de Janeiro e se diz “matematicamente brasileiro.” Ele colabora regularmente com o Brasil e está atualmente no Rio, onde acompanha de perto a evolução da situação política no país.

Infelizmente a matemática não pode ajudar o Brasil, especialmente neste momento lamentou Etienne Ghys em entrevista à RFI. Ele disse que, ao assistir a votação, ficou óbvio para ele que “ela tinha a ver com problemas de probabilidades", e fez cálculos, mesmo estando convencido que “eles são pouco úteis neste caso particular."

Na votação nominal e pública da Câmara, o "sim" deveria ter duas vezes mais de votos do que o "não". Pela teoria da probabilidade, na evolução da votação, às vezes e em momentos pontuais, o número de nãos poderia ter sido maior do que o sim, mas isso nunca aconteceu para espanto de Etienne Ghys: “Foi uma coisa um pouco estranha, que normalmente não podia acontecer. Caulculei que o que aconteceu era muito pouco provável”, afirma o matemático.

A abertura do processo de impeachement contra a presidente foi aprovada pelos deputados por 367 votos a favor e 137 contra. No Senado, o voto por maioria simples foi eletrônico, e o afastamento de Dilma foi decidido por 55 votos a favor e 22 contra.

Democracia não deveria ser aleatória

O matemático francês ressalta que a “democracia não deveria ser aleatória”. Ele imagina que os deputados e senadores brasileiros têm opiniões sérias, mas a sessão na Câmara impressionou: “Para o estrangeiro que sou, parecia mais um circo que democracia. Então, eu diria que tinha uma certa forma de aleatoriedade na votação”.

No artigo no Le Monde, o matemático francês escreve que infelizmente a teoria da probabilidade não pode ajudar a deduzir a sequência dos acontecimentos, a votação final e a destituição ou não de Dilma. Mas recomenda aos políticos a leitura do livro de Condorcet “Essai sur l’application de l’analyse à la probabilité des décisions rendues à la pluralité des voix” (Ensaio sobre a aplicação da análise da probabilidade de decisões tomadas por uma pluralidade de vozes). A obra de 1785, que estipula entre outras coisas o número ideal de parlamentares em um país, é, segundo ele, uma boa lição de democracia.

Rindo, Etienne Ghys afirma não saber se à luz das ideias defendias por Condorcet as decisões pelo afastamento de Dilma na Câmara e no Senado são representativas do desejo da maioria do povo brasileiro. “Mas me parece que os deputados falaram em nome do povo. A maioria foi muito clara e eu diria que o povo falou.”

Especialista da teoria do caos

Etienne Ghys é especialista na teoria do caos, mas essa teoria não pode ajudar a entender o Brasil de hoje: “Eu gosto da palavra caos porque ela é muito parecida com a imagem do Brasil hoje em dia. Mas ela não é uma teoria que prevê o futuro. Ela descreve fenômenos numerosos, e não um caso particular.”

O matemático considera muito séria a situação política brasileira e está preocupado com a crise. Mas, assertivo, não teme pela colaboração científica entre os dois países: “A cooperação científica entre a França e o Brasil é muito antiga. Faz muito tempo que os matemáticos franceses e brasileiros têm um relacionamento ótimo, que funcionam muito bem nos dois sentidos. Esta cooperação ainda é forte e não tenho a menor dúvida que ela vai continuar para sempre.”
 

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