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Leão de Ouro em Veneza, Paulo Mendes da Rocha diz que a arquitetura vai mal

Por RFI

O arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, 87 anos, recebe neste sábado (28) o Leão de Ouro por sua carreira, na 15ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza. Em entrevista à RFI na Itália, ele disse que a arquitetura vai mal tanto no Brasil quanto no mundo: “A arquitetura deve expressar um sentimento político e social”.

Gina Marques, correspondente da RFI Brasil em Roma

Em sua trajetória como arquiteto, Mendes da Rocha assumiu uma posição de destaque no Brasil e recebeu, em 2006, o Prêmio Pritzker, o Nobel da arquitetura.

Ele credita o prêmio que receberá neste sábado a todos os arquitetos brasileiros. “Trabalhei com um contingente enorme de colaboradores, este é um prêmio também para eles. Se considerarmos o Brasil, é um prêmio para todos nós”, disse, por telefone (ouça a entrevista clicando na foto acima).

Mesmo assim, Mendes da Rocha não deixa de ser crítico sobre a arquitetura feita na atualidade. “A arquitetura vai mal no Brasil e no mundo. Estamos vivendo uma grande transformação sobre a nossa condição no universo e a nossa condição humana. A arquitetura deve absolutamente expressar um pensamento político e social. Não há outra expressão para a arquitetura que não seja esta”, afirma.

Segundo as motivações citadas pelo Conselho de Diretores da Bienal de Veneza, com recomendação do arquiteto chileno Alejandro Aravena, prêmio Pritzker 2016, Paulo Mendes da Rocha é um desafiador anti-conformista. “Fico lisonjeado, porque o conformismo é uma das piores coisas que se possa imaginar. Não sou conformista com muito orgulho” disse.

Veneza

Para ele, o papel do arquiteto no mundo que sofre a depredação do ambiente é construir o habitat humano preservando as virtudes do planeta. “A natureza por si mesma não é habitável, ela tem que ser construída. Temos que demonstrar com a arquitetura e urbanismo que isso não significa destruir o planeta, ao contrário, ele terá que tornar-se mais humano e cada vez melhor. Esse é o grande desafio”.

Segundo ele, os critérios de sustentabilidade nas suas obras são os espaços feitos para amparar a imprevisibilidade da vida, porque a transformação é permanente. Mas Mendes da Rocha discorda que arquitetura seja um campo em constante mutação. Para ele a arquitetura como forma de conhecimento nunca mudou na história. “O homem sempre desejou construir o espaço ideal para a sua condição na natureza”, afirmou, citando o exemplo de Veneza, lugar onde pensava-se que era impossível fazer uma cidade, mas onde o projeto humano da expansão das navegações fez construir “esta fantástica cidade com ruas aquáticas no coração da Europa”.

 

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