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Brasil volta a ter a confiança dos investidores estrangeiros, diz Les Echos

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Com o título "Brasil volta ao mercado de títulos globais", Les Echos analisa primeira emissão de títulos da dívida pública brasileira depois do afastamento da presidente Dilma Rousseff. RFI

O retorno do Brasil ao mercado dos títulos da dívida pública recebe destaque na edição desta segunda-feira (25) do jornal econômico Les Echos. Na semana passada, o Tesouro Nacional testou o mercado com a emissão de um título de longo prazo, o Global 2047, na primeira captação externa do governo Michel Temer. O jornal francês avalia que a emissão foi bem-sucedida.


Na última quinta-feira (21), o Brasil conseguiu captar US$ 1,5 bilhão de dólares na venda de obrigações com vencimento em 30 anos, o que pode ser interpretado como um voto de confiança dos investidores estrangeiros no governo conservador, afirma Les Echos. Apesar de agências de notificação de risco financeiro terem rebaixado os títulos do país à categoria de especulativos, a operação teve saldo positivo. Les Echos assinala que para atrair capital estrangeiro, o Brasil pagará juros apetitosos. A remuneração será de 5,875% por ano, ou seja, um "spread" de 357,2 pontos em relação aos títulos do Tesouro americano.

Analistas veem várias razões para um retorno do Brasil ao mercado internacional. A nova equipe econômica estaria ao abrigo das pressões políticas, "o que fez o risco Brasil cair à metade em alguns meses". Outros fatores favoráveis estão relacionados com a conjuntura externa. Os investidores buscam rentabilidade nos países emergentes, depois que as taxas pagas pelos títulos das dívidas públicas dos países avançados se tornaram negativas. A instabilidade política na Turquia também favorece particularmente o Brasil, que passa a ser considerado um país mais seguro. O mercado externo aposta ainda na destituição definitiva da presidente Dilma Rousseff no final de agosto, enfatiza o jornal.

Além do Brasil, o Qatar e a Arábia Saudita fizeram, recentemente, emissões de títulos vantajosas para seus governos, confirmando um maior interesse dos investidores nas economias emergentes.