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Incêndios na Amazônia ameaçam índios isolados Awá-Guajá

Por Lúcia Müzell

Quatro focos de incêndios na Amazônia maranhense se aproximam do local onde vive um grupo de índios isolados Awá-Guajá. No ano passado, na mesma época, o fogo incinerou quase 45% da floresta – e organizações de defesa dos povos indígenas temem que o fenômeno que se repita neste ano.

Já faz mais um mês que as chamas começaram no Território Indígena de Arariboia. Há cerca de duas semanas, uma equipe de 70 pessoas tenta controlar os incêndios, entre profissionais do PrevFogo, ligado ao Ibama, voluntários e os próprios índios Guajajara, que também vivem na região sofrem as consequência do fogo. A pesquisadora Fiona Watson, da organização de proteção dos índios Survival International, alerta que o maior risco é para os Awá-Guajá.

“Eles são um povo nômade que vive da caça e da coleta, isolado. Isso significa que eles não querem ter contato nem com os Guajajara, nem com a sociedade nacional do Brasil. Eles estão escondidos na floresta e são um grupo de cerca de 100 pessoas, muito vulneráveis, que não tem para onde correr, porque estão cercados por outros indígenas e por madeireiros”, afirma a britânica. “Quanto mais rápido avançar o incêndio, mais risco eles correm de simplesmente morrer.”

Gilberlan Rodrigues da Silva, membro do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), está no local e avalia que a estrutura está insuficiente para enfrentar as chamas. O Ibama conta com caminhões e helicópteros, mas tem dificuldades de avançar na mata fechada e chegar nos focos mais remotos.

Tempo seco favorece às chamas

“O incêndio está todo o dia, sem parar. É um período difícil porque não tem chuvas, a floresta está seca e venta bastante”, observa. “Como a mata é muito densa, acaba dificultando o acesso do pessoal do para conter os focos de incêndio.”

Rodrigues nota que, na maioria das vezes, os madeireiros ilegais que atuam na região são os autores dos incêndios, para poder invadir as áreas indígenas e roubar madeira. “Com as invasões e a repressão, muitas vezes, da polícia, os madeireiros acabam colocando fogo em regiões para desviar a atenção de operações que acontecem em frentes madeireiras. Logo quando começou uma operação, o fogo se iniciou na área de Aririboia e deslocou todo mundo de lá e para cá”, conta o integrante do Cime.

Dos quatro focos, dois estão controlados, diz PrevFogo

O coordenador do PrevFogo (Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais), Gabriel Zacharias, esteve no local na semana passada e avalia que a situação é menos crítica do que em 2015. Ele considera que, por enquanto, não há necessidade de aumentar os meios materiais e humanos para bloquear o avanço das chamas: duas frentes de fogo estão sob controle e uma surgiu apenas nesta segunda-feira. A quarta, segundo ele, está perto de ser controlada.

O coordenador ressalta, porém, que é comum os próprios índios causarem os incêndios acidentalmente, um problema que tem se agravado com as mudanças climáticas e o aumento da temperatura do planeta.

“É cultural, eles já têm essa tradição de centenas de anos. Mas o clima hoje e as condições do solo não são as mesmas dos antepassados deles, fazendo com que eles não tenham mais o controle”, indica o coordenador. “Antigamente, o fogo quando chegava na mata morria, e hoje não morre mais, porque a mata está mais seca e o clima, mais quente.”

Prevenção de incêndios nas aldeias

Zacharias afirma que o Ibama realiza um trabalho de prevenção de incêndios junto às aldeias com as quais têm contato. Os profissionais explicam aos índios técnicas de uso seguro do fogo e os períodos mais propícios à propagação descontrolada das chamas. Com tribos isoladas, porém, esse trabalho é impossível.

“Há indícios de que os Awá-Guajá possam estar próximos dos focos de incêndio. Não temos a confirmação porque se trata de uma zona muito grande de perambulação, como chamamos”, diz o representante do Ibama. “Às vezes, estamos combatendo no leste e eles estão mais a oeste, ou vice-versa. O que sabemos é que o fogo está caminhando para a área deles, onde eles costumam andar, mas já estamos combatendo essas frentes de incêndio.”

De acordo com Rodrigues, do Cime, 10 mil índios Guajajara vivem no Arariboia, em um território de 413 mil hectares. Quase 190 mil hectares da floresta foram consumidos nos incêndios de 2015. Neste curto período, a mata não teve tempo de se recuperar das queimadas, ficando mais vulnerável às chamas.
 

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