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Bancos europeus adotam demissões em massa para se modernizar

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Mercados estão preocupados com o pagamento da multa bilionária cobrada pelos Estados Unidos do Deutsche Bank. REUTERS/Kai Pfaffenbach/Files

Os jornais desta quinta-feira (6) destacam em primeira página a preocupação manifestada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em relação ao estado dos bancos europeus, em um momento em que a situação do Deutsche Bank e de alguns estabelecimentos italianos inquietam os mercados. Além dos problemas de gestão duvidosa de ativos, o FMI aponta um número excessivo de instituições bancárias no continente.


A hipótese de quebra do alemão Deutsche Bank, ameaçado com uma multa de US$ 14 bilhões pelos Estados Unidos por ter vendido créditos hipotecários de alto risco ("subprimes"), que levaram à crise mundial de 2008, provocou, ontem, queda nas bolsas europeias. Segundo a agência France Presse, o governo alemão negocia discretamente com as autoridades americanas uma redução do montante, mas o acordo precisa ser rapidamente costurado para acabar com o clima de incerteza nos mercados.

O jornal conservador Le Figaro explica que além de ter de se livrar de créditos podres, os bancos europeus sofrem com a perda de rentabilidade provocada pela política de juro zero do Banco Central Europeu (BCE). Atualmente, os bancos pagam para deixar dinheiro no BCE e a margem de lucro das instituições caiu drasticamente.

Le Figaro observa que desde janeiro, os 129 maiores bancos do continente estão sujeitos a uma supervisão mais exigente, feita pela nova autoridade criada no plano de união monetária do bloco. Essa ação pressiona os bancos, que devem colocar ordem na casa, porque não serão mais salvos com dinheiro do contribuinte. Alguns governos protestam contra uma perda de autonomia e continuam resistindo às reestruturações.

Bancos inchados de pessoal e pouco eficientes

O diário econômico Les Echos se refere às medidas que são exigidas dos bancos europeus como uma "cura drástica". Sem dúvida, a que dói mais é o fechamento de agências bancárias, que representa o fim de milhares de empregos.

Para fazer economias, quatro grandes bancos europeus adotaram esta semana programas de redução de custos, dispensando 20 mil bancários. Essas demissões ilustram as dificuldades no setor, que busca economizar mão de obra com automação.

Les Echos destaca que essa guinada tecnológica é um desafio para alguns países, como a Itália, por exemplo. Costuma-se dizer que na Itália existem mais agências bancárias do que pizzarias. Os italianos têm em média 49 caixas por 100 mil habitantes, quando a média europeia é de 36.

Até 2020, o setor bancário italiano deverá demitir um terço de seus 300 mil empregados. O primeiro-ministro Matteo Renzi chegou a evocar 150 mil demissões. Como assinala o jornal Les Echos, consolidar e modernizar os bancos italianos não tem nada de virtual.