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Brasil de Michel Temer toma rumo liberal, diz Le Figaro

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Matéria publicada pelo jornal Le Figaro nesta segunda-feira (24). Reprodução/Le Figaro

"Depois de treze anos de políticas sociais do Partido dos Trabalhadores, o Brasil está de dieta", publica o jornal Le Figaro. O diário lembra que uma das principais medidas da agenda liberal do presidente Michel Temer, a PEC 241, será votada em segundo turno nesta terça-feira (25) na Câmara dos Deputados.


Segundo Le Figaro, a análise em segunda leitura da medida que ficou conhecida como "a PEC do Teto de Gastos" já é considerada uma vitória do governo Temer. A proposta, que tem por objetivo limitar as despesas públicas do três poderes à inflação do ano anterior pelos próximos 20 anos, obteve o apoio de uma maioria esmagadora em uma votação inicial na Câmara dos Deputados, no dia 10 de outubro.

Segundo a correspondente do jornal no Rio de Janeiro, Ka Rahabi, Temer "que substituiu Dilma Rousseff em agosto depois de um controverso processo de destituição", vai testar nesta terça-feira a solidez de sua coalizão no Congresso e sua capacidade de colocar em prática seu programa de recuperação econômica, uma meta que precisa cumprir antes do final de seu mandato em 2018. Não é à toa que, como diz Le Figaro, o presidente tentou convencer "até o último momento, por telefone, os traidores", ou seja, os 111 deputados que votaram contra a medida.

"É preciso cortar na carne"

Depois de uma década trabalhista, o Brasil toma então "um rumo liberal", ressalta o diário. Para isso, "é preciso cortar na carne", escreve Le Figaro, lembrando polêmica a frase proferida por Temer "durante um farto jantar organizado em seu palácio presidencial com mais de 200 deputados".

Os mercados e o Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiam a austeridade contra a qual milhares de brasileiros vêm protestando frequentemente nas ruas, especialmente sobre os cortes nas áreas da saúde e da educação, escreve o diário. "Eles temem que a medida reforce as desigualdades no país, enquanto esses setores já começam a demonstrar uma cruel carência", explica Le Figaro.

Os economistas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) sugerem que o governo aumente os impostos sobre a fortuna dos 71 mil brasileiros mais ricos do país. Sozinhos, eles detêm mais de R$ 200 bilhões. Mas a hipótese parece não ser nem mesmo cogitada pelo atual governo.

Apesar de viver a pior recessão de sua história, dos 12 milhões de desempregados, da dívida pública beirar os 70% do PIB em 2015 e de o crescimento ter uma previsão de queda de 3% este ano, Temer mantém o tom otimista, finaliza o jornal, citando uma declaração do presidente: "Estamos escrevendo a história e queremos, no último dia de nosso governo, dizer: 'Salvamos o Brasil'".