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Les Echos: Brasil descarta lixo "como um país subdesenvolvido"

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Matéria publicada no jornal Les Echos nesta sexta-feira (4). Reprodução

A apenas alguns dias da COP22, a conferência anual do clima, que será realizada em Marrakech neste ano, o diário econômico Les Echos desta sexta-feira (4) traz um caderno especial, produzido em parceria com vinte jornais de todo o mundo, sobre como as cidades terão que se adaptar para respeitar os engajamentos previstos no Acordo de Paris sobre o Clima, assinado durante a COP21. Na publicação, Les Echos ressalta alguns projetos ecológicos em andamento no Brasil, mas aborda a questão do atraso em relação ao processamento do lixo, feito como em um país subdesenvolvido.


Em editorial, o diário ressalta que as principais aglomerações do mundo já adotam alternativas para barrar o aquecimento global. Les Echos lembra que os territórios urbanos representam atualmente mais de 50% da população mundial e são responsáveis por 70% das emissões de gases de efeito estufa. Por isso, destaca, as cidades terão que reinventar seus modos de produção, consumo e distribuição, especialmente nas questões que envolvem transporte e mobilidade, energia e os dejetos.

A crise da Cantareira e o uso sustentável da água

O diário econômico ressalta decisões em prol do clima nas principais cidades e capitais do mundo. E o Brasil não fica de fora. A jornalista Andrea Vialli, do jornal Valor Ecônomico, escreve para o Les Echos sobre o problema da falta de água em São Paulo. Ela lembra que em 2014, a maior reserva do sistema da Cantareira, que fornece água para o Estado, registrou um dos níveis mais baixos da história devido a uma combinação de um verão extremamente seco e do aumento do consumo da água. O episódio, diz a jornalista, alertou as grandes cidades brasileiras para repensar a forma como gerenciam suas fontes de água, mesmo que o país concentre 12% do total de água doce do mundo.

Para lutar contra o problema, dispositivos são testados no Brasil. Vialli cita como exemplo a Ong brasileira Coalizão Cidades Pela Água, que desenvolve um projeto junto às prefeituras e empresas das principais regiões metropolitanas do país. "Hoje, São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba trabalham sobre a questão com multinacionais como Ambev, Coca-Cola, Klabin e Unilever", escreve a jornalista do Valor Econômico no Les Echos.

Um dos desafios da Ong é a sensilibilização dos governos sobre a necessidade de investir em infraestruturas verdes e a restauração das florestas degradadas em torno dos rios. Com a ajuda das empresas, a Coalizão Cidades Pela Água conseguiu obter verbas e restaurar regiões ribeirinhas da Cantareira e do Alto Tietê, em São Paulo, e do sistema de Guandu, no Rio de Janeiro.

Projeto de reciclagem

Em outra matéria no mesmo caderno do Les Echos, a jornalista brasileira escreve sobre o atraso do país no processamento do lixo. "O Brasil produz dejetos como uma nação rica, mas o elimina como um país subdesenvolvido", ressalta. Ela lembra que, em São Paulo e no Rio de Janeiro, cada brasileiro produz, em média, 1,2 kgs de lixo por dia, e 41% dos dejetos urbanos produzidos ainda são eliminados sem ser reciclados", frequentemente despejados nos famosos "lixões".

A publicação também fala do trabalho de uma start-up de São Paulo, a New Hope Echotech, que coloca em relação cooperativas de coleta de lixo com empresas. A estratégia é utilizar programas de gestão de dados para que as sociedades que produzem bens de consumo paguem os lixeiros pelo volume de dejetos que retiram do meio ambiente para reciclagem. Atualmente, cinco empresas utilizam o programa. Uma delas já conseguiu reciclar uma tonelada de material descartado.