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Thomas Coutrot: "Reforma da aposentadoria no Brasil é questionável"

Thomas Coutrot é economista e chefe do departamento de Condições de Trabalho e Saúde do Ministério do Trabalho da França. Ele comenta nesta entrevista a proposta de reforma da aposentadoria no Brasil, enviada ao Congresso Nacional para ser aprovada. O texto estabelece a idade mínima de 65 anos para homens e mulheres se aposentarem, com um tempo mínimo de contribuição de 25 anos. As novas regras vão valer para homens com menos de 50 anos e mulheres com menos de 45.

Comparando com outros países, será que o Brasil começou muito tarde essa reforma? "Sua pergunta parte do pressuposto de que esta reforma seria justificada, seria necessária, o que é muito questionável. Na verdade, todas as reformas da aposentadoria que tiveram lugar no mundo inteiro, na Europa, principalmente nos últimos anos, tiveram o mesmo objetivo: reduzir os custos salariais porque a Previdência é financiada através de encargos sociais. Hoje em dia, o próprio FMI e a OCDE (Organização Para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) dizem que a questão da redução da massa de salários foi longe demais, houve um aumento muito grande das desigualdades sociais e agora isto cria dificuldade para o próprio crescimento econômico", diz o especialista.

Coutrot pensa que hoje as instituições financeiras internacionais não pregam mais a redução dos gastos sociais porque se deram conta de que muitos países estão inibindo o crescimento econômico através da redução destes gastos com aposentadoria ou investimentos públicos. "Eu diria que o Brasil está fazendo essa reforma quando muitos paises estão se dando conta de que reduzir os gastos sociais, reduzir a massa dos salários, não é uma política que dará frutos no futuro", observa.

Para o economista, não são os gastos que estão aumentando, mas os recursos públicos que estão diminuindo. Ele também explica que as pessoas com mais de 60 anos, na França, dificilmente acompanham o ritmo do trabalho e acabam tendo que se aposentar antes do tempo por problemas de saúde, pois o corpo não consegue continuar a atividade com a mesma energia de antes. "Não conseguem ficar no emprego até 65 anos. Quando o trabalho fica mais duro, é muito difícil obter resultados", observa o economista.

 

 

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