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“Vivemos a era do terrorismo permanente e implacável”, diz reitor Cândido Mendes

Por Elcio Ramalho

O 1° Congresso Mundial do Pensamento Complexo, realizado entre os dias 8 e 9 de dezembro na Unesco, reuniu em Paris dezenas de intelectuais, pesquisadores e ONGs para discutir problemas globais da humanidade. Entre os convidados do evento, Cândido Mendes de Almeida, educador, advogado, sociólogo, filósofo, reitor da Universidade Cândido Mendes no Rio de Janeiro (UCAM) e também membro da Academia Brasileira de Letras.
 

Durante os dois dias de congresso, o pensamento complexo, que trata da transversalidade e da ligação de várias formas de conhecimento, em oposição ao pensamento considerado tradicional, permeou os debates coordenados por Edgar Morin, um dos filósofos mais respeitados na França e no mundo. “Uma das reflexões foi o papel do conhecimento no sentido mais claro da palavra, e dentro dessa situação, como se pode efetivamente chegar ao universal da comunicação”, explicou Cândido Mendes em entrevista ao RFI Convida.

“Edgar Morin tem uma definição para esse novo sujeito emergente. Ele fala de uma ‘autoecoorganização’ para discutir o que pode se opor à globalização. E o que se opõe à globalização é a diferença”, diz Cândido Mendes, autor de uma palestra com o tema “A era planetária e a dialética da globalização”.

“A questão é saber como a diferença vai de fato se afirmar. Depois da Renascença, que viveu completamente a temática do universal, surgiu a diferença coletiva, que representou o estado-nação. Na nossa época, estamos diante de uma real dialética inédita". E em um contexto de globalização, é necessario refletir sobre o "contraponto do poder”, afirma, citando como exemplo a situação dos Brics, bloco formado pelos países emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Cândido Mendes, de 88 anos, considera mais sério e preocupante o surgimento e a atuação do grupo Estado Islâmico (EI). “Estarmos diante da negação da humanidade. O EI representa a capacidade de excluir tudo o que estiver diante da tradição corânica. Inclusive neste grupo temos cerca de 10 mil ocidentais, saídos da França, da Itália e sobretudo dos Estados Unidos. Eles são atraídos pelos jihadistas em busca de uma nova era e de uma nova definição do que possa ser a identidade”, explica.

“Não existe mais humanidade. Existe todo o grupo que leva ao EI e o restante, que não é reconhecido. Isso nos leva à constatação de que entramos no quadro do terrorismo permanente e implacável”, acrescenta.

Novos paradigmas para a educação

O congresso mundial também dedicou muito debates sobre novos paradigmas para a educação em uma sociedade cada vez mais virtual. Segundo os intelectuais presentes no evento, os educadores estão diante de imensos desafios e os sistemas educacionais devem se adaptar ao mundo contemporâneo.

“Com a nova comunicação e com o mundo virtual, o ‘vis-à-vis’ passou a ser múltiplo e imediato, o que promove um descarte do velho conhecimento e sobretudo ao abandono de seu instrumento clássico que é o livro. O livro se descarta hoje neste novo tipo de conhecimento e dentro da comunidade virtual. É uma simultaneidade de conhecimento que emerge e, dentro dela, a necessidade dessa reciprocidade de conhecimento”, afirma.

“É preciso colocar na linha de educação a mecânica da internet. Isso é vital. A conversação se faz dentro da internet, por meios de tribos. E essas tribos estão falando apenas para si mesmas”, acrescenta.

O reitor da UCAM defende uma reforma educativa que incorpore a sociedade virtual mas que, ao mesmo tempo, esteja ligada às oportunidades do mercado de trabalho. “A busca de profissões, sobretudo das classes média e baixa, não está ligada ao conhecimento do mercado e, sim, vinculada à ideia de imitar os grupos realmente bem-sucedidos”, diz.

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