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Brasília: retrospectiva "bissexta" para um 2016 "sem fim"

Por Márcia Bechara

Impeachment, Olimpíadas, Zica. As notícias não pararam no Brasil em 2016. Nossa correspondente em Brasília, Luciana Marques, oferece um resumo deste ano cheio de emoções.

Luciana Marques, correspondente da RFI em Brasília

Não teve um só dia em que os jornalistas de Brasília ficaram sem assunto nos últimos 366 dias. Porque, além de não acabar nunca, como reclamam os brasileiros nas redes sociais, 2016 é um ano bissexto. O ano começou com crise econômica, que já vinha derrubando a popularidade da então presidente Dilma Rousseff. Em fevereiro, ela tinha a reprovação de mais de 60% dos brasileiros. Essa mesma porcentagem defendeu que os deputados federais deveriam votar a favor do processo de impeachment, iniciado em 2015. Os protestos nas ruas voltaram. Em março, Dilma tentou uma última cartada, convidando Lula para a Casa Civil. Mas após a divulgação de conversas telefônicas entre eles, a crise do governo acelerou.

Um mês depois a Câmara dos Deputados votou a favor do impeachment, com discursos em nome da família e temas banais. Os deputados votaram a favor do impeachment em abril. Em maio, Dilma foi afastada pelos senadores até o julgamento final. O vice-presidente Michel Temer assumiu o Palácio do Planalto sob críticas da esquerda de que teria orquestrado um golpe. Logo nos primeiros dias as polêmicas começaram: Temer não tinha nomeado mulheres no primeiro escalão e resolveu acabar com o Ministério da Cultura, decisão que foi revista depois.

A Lava-Jato também acertou em cheio o governo, derrubando o primeiro ministro: o do Planejamento, Romero Jucá. Não parou por aí. Seis ministros caíram em seis meses. O último deles atingiu o coração palaciano. O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, foi obrigado a deixar a pasta depois de acusações de tráfico de influência. O próprio Temer foi acusado de tentar beneficiar um empreendimento de Geddel, em conversas gravadas por outro ministro – ironicamente o da Cultura, pasta renegada por Temer nas primeiras semanas de governo.

Jogos Olímpicos, Impeachment, PEC, Lava-Jato

E todas essas mudanças de governo aconteceram em meio às Olimpíadas. A abertura do evento aconteceu em 5 de agosto. Foi no fatídico dia 31 de agosto que a presidente Dilma, já afastada, deixou definitivamente a Presidência, após decisão do Senado. A saída ocorreu 10 dias depois do encerramento dos Jogos Olímpicos, os Paralímpicos ainda estavam por vir. A competição aconteceu em um Rio de Janeiro falido. O temor mundial era de que a Zica, causadora de microcefalia em fetos, se espalhasse com a vinda de turistas. Mas a doença foi mais um dos alarmes falsos de que as Olimpíadas no Brasil seriam um fracasso. Apesar de problemas com infraestrutura – entre eles, o desabamento da ciclovia e os atritos com a delegação da Austrália - no geral os jogos foram considerados um sucesso pela imprensa internacional – a começar pela cerimônia de abertura.

Para os brasileiros, o destaque foi a vitória da seleção de futebol masculino contra a Alemanha. Foi o primeiro ouro olímpico do esporte nacional. Sem contar que os grandes Bolt, no atletismo, e Phelps, na natação, se despediram da maior competição de esporte do mundo aqui no Brasil. Por outro lado, o país ficou de luto no esporte recentemente com a queda do avião que levava a equipe do time Chapecoense.

Ao mesmo tempo em que Dilma Rousseff sofria o processo, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, também estava ameaçado de cair. O grande pivô do início do processo de impeachment, Eduardo Cunha foi afastado do cargo em maio pelo Supremo Tribunal Federal. Além de atrapalhar as investigações, os ministros também argumentaram que Cunha não poderia eventualmente substituir o presidente da República na condição de réu de ação penal da Lava Jato. Este não foi, no entanto o mesmo entendimento que o STF teve quanto ao presidente da casa ao lado, Renan Calheiros.

A decisão mais polêmica do STF este ano foi fazer uma espécie de acordão para livrar o presidente do Senado de ser afastado do cargo agora em dezembro. Uma liminar de um ministro já tinha decidido pelo afastamento, mas Renan se recusou a deixar a cadeira. Após conversas entre autoridades dos Três Poderes, o plenário do Supremo decidiu que mesmo réu em uma ação, Renan pode continuar à frente do Senado. Mas não pode substituir o presidente da República. A decisão permitiu que o Senado terminasse a votação da PEC que limita os gastos públicos por 20 anos.

Para finalizar, a Operação Lava-Jato, que foi um verdadeiro furacão para o mundo político, atingindo ministros e ex-ministros dos governos Temer, Dilma e Lula. As prisões de figurões como Eduardo Cunha, Antonio Palocci e Guido Mantega deixaram Brasília incrédula. Mas o grande temor mesmo foi o acordo da construtora Odebrecht, que vem revelando esquemas de corrupção bilionários que atingem nomes fortes dos maiores partidos brasileiros, seja de governo, seja de oposição. E muita água ainda vai rolar da Lava-Jato em 2017.

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