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Brasileiro usa Jiu-Jitsu para aproximar árabes e judeus em Israel

Por Daniela Kresch

Um sociólogo carioca se dedica a aproximar judeus e árabes em Israel através do Jiu-Jitsu brasileiro. Ele já tem dezenas de alunos que praticam a arte marcial em Jerusalém.

Correspondente da RFI em Israel

Marcos Gorinstein, 37 anos, deixou para trás um trabalho confortável e a praia de Tel Aviv para seguir seu sonho de trabalhar em prol da paz em Jerusalém – cidade onde 40% dos moradores são árabes e 60%, judeus. Em 2014, ele criou o projeto “Árvore da vida – nos recusamos a ser inimigos”, que tem como objetivo fazer com que alunos dos dois lados aprendam a conviver através de uma atividade em comum.

Quando chegou em Israel, em 2010, Marcos já tinha o sonho de lidar com o conflito entre árabes e judeus na região, mas não imaginava que seria por meio das artes marciais. “Eu vim para cá com o objetivo de trabalhar em algum trabalho sobre a questão do conflito palestino-israelense”, diz o carioca. “Chegando em Jerusalém, eu disse: ‘sou professor de Jiu-Jitsu, então vou usar essa arte marcial como ferramenta para poder criar contato entre judeus e palestinos’”

Marcos Gorinstein é faixa preta pela Academia Gracie da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde estudou com o mestre Vinicius Aieta, o Vini. Para ele, o Jiu-Jitsu é o esporte perfeito para quebrar o gelo entre inimigos, no caso crianças judias e árabes, que enfrentam um ambiente de desconfiança mútua. “Muitas vezes, quando a gente tenta o contato entre povos inimigos, esse contato é feito verbalmente, as pessoas conversam, as pessoas trocam olhares. Já o Jiu-Jitsu tem o toque. A gente toca o tempo todo, está junto o tempo todo. É uma luta com contato total do corpo”, explica Marcos. “O Jiu Jitsu tem essa capacidade de a gente elevar a relação para o contato físico, o que é um lado muito positivo da prática. Além disso, é um esporte que faz com que a gente, o tempo todo, aprenda os nossos limites e os limites dos que estão treinando conosco”.

Atualmente, Marcos tem mais de 40 alunos, principalmente estudantes do colégio “Yad BeYad”, ou “De mãos dadas”, em Jerusalém, uma escola mista de árabes e judeus que faz um trabalho de convivência exemplar. Mas seu esforço já está sendo reconhecido e ele pretende montar uma academia própria onde poderá concentrar todas as turmas, de crianças e adultos.

Poucas crianças judias vão até Jerusalém Oriental

A ideia é promover a coexistência por meio do esporte para outras áreas de Jerusalém e arredores, incluindo a Cisjordânia. Porém, há obstáculos no caminho, principalmente por parte das famílias dos dois lados, que nem sempre aprovam que seus filhos lutem juntos o Jiu-Jitsu. “A questão principal que a gente enfrenta aqui é um preconceito. Porque as pessoas não conhecem quem está do outro lado. Há fronteiras muito invisíveis que a gente não passa por elas”, conta Marcos. “É muito raro você ver crianças judias indo a Jerusalém Oriental. É praticamente zero o número de crianças judias que fazem isso, por conta de medo dos pais, por conta da realidade em que a gente vive. Então a ideia é buscar, através de colégios, através de instituições que trabalham com jovens, a criação de turmas para que a gente possa quebrar essas fronteiras e que as crianças passem a conhecer uns aos outros através da prática do Jiu-Jitsu”.

Muitos alunos do sociólogo carioca não pagam mensalidade integral por falta de condições e Marcos busca, agora, parceiros institucionais que ajudem a completar o valor para que nenhuma criança deixe de competir. O sonho do brasileiros é que seus alunos, tanto árabes quanto judeus, se tornem instrutores de Jiu-Jitsu e, como ele, se dediquem à promoção da paz na Terra Santa.

 

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