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Chef brasileiro sai do Complexo da Maré para cozinhar em Davos

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Luis Freire levou uma pitada do tempero brasileiro para os poderosos reunidos em Davos Divulgação

O jovem chef brasileiro Luis Freire deixou o Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, para servir as personalidades mais poderosas do mundo durante o Fórum Econômico de Davos, na Suíça. O carioca está na Europa junto com o chef David Hertz, um dos fundadores do projeto social Gastromotiva, que luta contra o desperdício de comida.


Durante os últimos três dias, os grandes nomes da economia mundial puderam, entre uma reunião com ministros e um discuros do presidente da China, Xi Jinping, saborear o tempero brasileiro. Pilotando os fogões, estavam os chefs David Hertz e Luis Freire, do Gastromotiva, que participa pela segunda vez do Fórum Econômico Mundial. “É muito bom cozinhar para pessoas que estão buscando melhorar o mundo. Para nós, que combatemos o desperdício, estar em Davos é muito legal”, comenta Freire, em alusão ao objetivo do projeto social.

Foram três dias de maratona culinária, cozinhando para 300 pessoas em cada refeição. “No primeiro dia servimos uma feijoada, no segundo uma sopa de lentilha ao curry e, no último dia, fizemos uma moqueca vegetariana”, relata Freire, em sua primeira viagem internacional. Além da barreira da língua, o chef de 25 anos conta que a maior dificuldade foi lidar com as condições climáticas. “No Rio faz 40° e aqui está fazendo -20°”, conta. “Mas o resto consegui tirar de letra”, conta o chef.

Entre os convidados, participaram dos jantares e almoços do Gastromotiva diretores de grandes empresas, como a InBev, celebridades como o ator Forest Whitaker, ou ainda políticos como o ministro da Educação da Argentina, Esteban Bullrich. “Todos adoraram a comida brasileira. Recebemos muitos elogios. Eles amaram a moqueca! ”, se orgulha.

Nascido na favela Nova Holanda, Freire começou a cozinhar em 2015, após integrar o Gastromotiva, um projeto social fundado em 2006, que ensina gastronomia a jovens carentes, sempre com a preocupação de lutar contra o desperdício. “Fiz um curso durante três meses e depois fiquei trabalhando como voluntário durante um ano e meio, antes de conseguir uma bolsa para fazer faculdade de gastronomia”, conta. “Hoje eu tenho a oportunidade de fazer parte desse movimento social”.

O Fórum Econômico Mundial termina nesta sexta-feira (20), mas Freire fica na Suíça mais alguns dias, pois foi convidado para trabalhar durante duas semanas em um hotel no país europeu. Mas já tem planos para sua volta ao Brasil, após a estadia nos Alpes. “O principal foco aqui em Davos é ajudar a mudar. Então levo na bagagem a vontade de fazer as pessoas mudarem e entenderem a importância dos alimentos”.