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Maioria dos muçulmanos convertidos no Rio são ex-evangélicos

Por Maria Emilia Alencar

O Islã chegou ao Brasil no século 18 com os escravos que vinham do oeste da África. O sincretismo com o catolicismo provocou o declínio e quase desaparecimento da religião no país, que reapareceu no século 20 com a chegada de refugiados da guerra civil no Líbano e com a ocupação dos territórios palestinos. Essa população árabe, majoritariamente xiita, se instalou principalmente em São Paulo e Foz do Iguaçu. Outras ondas de imigração para o Brasil ocorreram no século 21 com a guerra na Síria.

Em entrevista ao RFI Convida, a antropóloga mineira Amanda Dias, da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais Paris, nos fala sobre a comunidade muçulmana do Rio de Janeiro, bem mais recente e com um perfil totalmente diferente. Amanda fez um trabalho de campo junto a essa comunidade que se formou em torno da mesquita construída no bairro da Tijuca, na zona norte.

Ela chegou a conclusões surpreendentes: ao contrário dos muçulmanos que vivem no sul do Brasil, originários ou descendentes de imigrantes de países árabes, os muçulmanos cariocas são, em grande maioria, brasileiros, ex-evangélicos convertidos ao Islã.

Isso se deve a ação de dois jovens da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro que decidiram mudar o enfoque de ação da instituição e concentrar os esforços na conversão dos brasileiros. A ideia foi tornar o Islã acessível. Para Amanda, o fato da religião muçulmana ter atraído principalmente evangélicos se deve ao caráter doutrinário que existe nas duas religiões.

"Existe, sim, uma continuidade entre as duas religiões. Como na igreja evangélica, o Islã, por exemplo, também pede um certo pudor na maneira de se vestir", ressalta a pesquisadora, que relata na entrevista certas situações peculiares das mulheres com véus no Rio de Janeiro, cidade célebre pelo culto ao corpo.

Pontos positivos da conversão

Amanda Dias vê certos pontos positivos nessa conversão: uma abertura para pessoas provenientes de camadas sociais mais pobres da cidade, que entram em contato com estrangeiros muçulmanos e com outras culturas. Muitos começam a ter vontade de aprender árabe ou frequentar uma universidade islâmica.

A pesquisadora não vê perigo do terrorismo se infiltrar nessa comunidade, pois, segundo ela, o Islã no Rio é apolítico, moral e individual. Não são famílias que se convertem ao Islã, são pessoas que têm que encontrar uma harmonia, às vezes, entre a sua prática religiosa e sua própria família. "Ao integrar essa comunidade transnacional, eles estão ingressando numa comunidade religiosa e não política", conclui.

 

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