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“É preciso se preparar para ter longevidade com qualidade”, diz Abílio Diniz

Por Elcio Ramalho

Durante sua passagem por Paris, onde veio participar de uma reunião do Conselho de Administração do Carrefour, o empresário e administrador Abílio Diniz deu uma palestra na embaixada do Brasil sobre “Gestão e Liderança” para uma plateia formada por executivos franceses e estudantes de administração.

No evento, Diniz contou detalhes da sua trajetória pessoal e profissional que o tornou um dos maiores nomes do empresariado brasileiro, conhecido mundialmente e integrante da lista de bilionários do planeta. Ele falou da origem do império que construiu a partir da pequena padaria criada por seu pai, um imigrante português.

Diniz mencionou os períodos de dificuldades, que quase levaram a empresa à falência nos anos 1980 e sua colaboração com o governo brasileiro durante passagem no Conselho Monetário Nacional, período em que ajudou o país a negociar sua dívida.

Com estudos no Brasil e nos Estados Unidos, Abílio ajudou a transformar o negócio familiar no maior grupo de distribuição do Brasil, o GPA (Grupo Pão de Açúcar), vendido depois para Casino. Em 2013, o empresário diz ter começado uma nova vida, ao deixar o grupo francês e partir para novos projetos empresariais, que incluíram assumir as presidências dos Conselhos de Administração da Península, empresa de investimentos familiar, e da BRF, além das atividades como membro do conselho de administração do grupo Carrefour e da sua filial Carrefour Brasil.

Durante a conferência, Abílio Diniz, de 80 anos, deu destaque aos valores que sempre guiaram suas ações: a espiritualidade e fé, a prática de esportes e a importância da família. Ele falou também da experiência com um dos eventos mais traumáticos de sua vida, quando foi sequestrado em 1989 por um grupo de guerrilheiros. “Evidentemente foi uma experiência dificílima e traumática. Você tem certeza absoluta que vai e você não morre, você sai do outro lado de outro jeito, com uma força muito grande”, disse.

Empresário bem sucedido e homem feliz com seis filhos de dois casamentos, Diniz aconselhou seus admiradores a investir e pensar desde cedo na qualidade de vida ao longo de toda a vida.

“É preciso aproveitar a longevidade desde a juventude”, afirmou. “Você tem que ter uma vida em que se prepara, tem que fazer investimentos para se ter uma qualidade de vida melhor, quando você tiver uma idade mais adiantada”, afirmou. “Sempre digo aos meus alunos jovens: você tem que decidir agora como você vai subir a escada com 60, 70 80 anos. Você tem que decidir antes, e não quando chegar lá”, aconselhou. “Não tem que fazer sacrifício nenhum. Eu detesto fazer sacrifício, tem que se preparar antes. Longevidade sem qualidade não adianta nada”, diz.

“Não quero conhecimento, nem prestígio. Quero continuar minha vida como uma pessoa que se dedica à família, à empresa e ao esporte. São as três coisas que para mim são as mais importantes”, afirmou.

O empresário brasileiro Abílio Diniz durante palestra na embaixada do Brasil em Paris, em 07/03/17. Foto: RFI/Brasil

Otimismo com o futuro do Brasil

Mesmo depois da divulgação dos números da economia brasileira, com a confirmação pelo IBGE da queda do PIB do país de 3,6% em 2016, marcando o período recessivo mais grave na história do país, Diniz demonstrou muito otimismo com o futuro do Brasil e as ações do governo Temer.

“Olha para um ano atrás e vê como nós estávamos e olha o dia de hoje. Veja o que tínhamos de esperança naquele tempo e a nossa esperança que tempos hoje. O governo está fazendo aquilo a que está se propondo. Ele (o presidente Temer) disse: eu não vou pensar em reeleição, não vou pensar em nada para frente. Eu vou fazer o que preciso fazer e está fazendo”, destacou.

“Não depende só do executivo, é uma negociação com o Congresso. O governo está enviando os projetos que agora têm que ser discutidos e aprovados no Congresso. Tudo isso leva seu tempo. Eu estou otimista que se vai conseguir”, insistiu.

O empresário admitiu que o setor de varejo é um dos que mais sofre com a crise que atinge a população brasileira. “Com 12 milhões de desempregados, é claro que está sofrendo. Agora, esse governo está tentando corrigir as coisas que foram feitas. Há indicadores de que a indústria está retomando, indicadores da arrecadação aumentando, o que é sinal de que a atividade econômica está melhor, há várias indicações públicas de que as coisas estão melhorando. Agora, não estão melhorando do jeito que gostaríamos que tivessem. Gostaríamos que o país estivesse crescendo a 5% ou 6% ao ano. Mas isso é impossível”, admitiu.

 

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