rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

Dilma Rousseff Julgamento cassação Michel Temer Tribunal Imprensa

Publicado em • Modificado em

"Será uma bomba se Temer tiver que deixar presidência", diz Le Parisien

media
O jornal Le Parisien anuncia nesta terça-feira (4) o início do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Reprodução

O jornal Le Parisien destaca nesta terça-feira (4) o início do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que "poderá cassar o mandato do presidente Michel Temer". O jornal explica aos leitores que o julgamento da chapa Dilma-Temer poderá ser adiado várias vezes.


"Mesmo se houver uma decisão favorável à cassação, a defesa do presidente já anunciou que vai acionar todos os recursos possíveis para permitir que ele chegue ao fim de seu mandato, em 2018." Segundo o Le Parisien, "será uma bomba se Temer tiver que deixar a presidência", uma vez que o país enfrenta uma grave crise política e econômica, gerada pelo escândalo de corrupção na Petrobras".

O texto informa que o juiz relator do processo, Herman Benjamin, deve exigir a invalidação da chapa Dilma-Temer. "Mas a situação política e econômica do Brasil não é necessariamente favorável a um novo terremoto institucional, menos de um ano após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff", completa.

Turbulência social no Brasil ameaça reformas de Temer

Passando da política para a economia, a edição desta terça-feira do jornal Les Echos traz uma reportagem sobre as perspectivas de recuperação econômica em países da América Latina. Após dois anos de recessão, os países da região devem retomar o caminho do crescimento neste ano, mas a inversão da tendência não será espetacular, avalia o diário francês. "O Brasil e a Argentina poderão decolar em 2018, mas ainda persiste uma ameaça de turbulência social", sublinha o diário.

Les Echos explica que os dois países iniciaram programas de reformas requeridas pelos investidores, com a chegada ao poder de Mauricio Macri na Argentina e Michel Temer no Brasil. Com a aprovação do teto dos gastos públicos e a futura reforma da Previdência, "o Brasil vai de vento em popa e tem todas as chances de atingir um crescimento superior a 3% em 2018", afirma o economista-chefe do Instituto Internacional de Finanças, Ramon Aracena. O mesmo cenário positivo é previsto para a Argentina.

Sem contar a Venezuela, o país que apresenta atualmente perspectivas duvidosas é o México, que será afetado pela política protecionista do presidente americano, Donald Trump. Há estimativa de que o produto interno bruto (PIB) mexicano sofra uma queda de 2,2% para 1,4% no biênio 2017-2019.

Les Echos relata que durante um encontro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), ocorrido no último fim de semana no Paraguai, a instituição defendeu a criação de uma zona de livre comércio na América Latina e no Caribe, nos moldes da Aliança do Pacífico, que reúne México, Peru, Chile e Colômbia. Segundo o BID, esse bloco econômico criaria um mercado único de US$ 5 trilhões, equivalente a 7% do PIB mundial.

Les Echos conclui que, apesar das boas perspectivas para os países da região que se comprometeram com reformas, os resultados ainda não estão garantidos. Durante o longo período de recessão, as condições de vida da população se deterioraram. O Brasil é um exemplo flagrante. O analista Roberto Sifon Arevalo, da consultoria S&P Global, diz que as pessoas estão impacientes e existe muita turbulência social na região. Com a constatação de que há muita corrupção e a qualidade de vida degringola, a irritação se exacerba e fica mais difícil de aplicar as reformas", avalia o consultor.