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Escândalo político pode deixar Brasil paralisado, afirma Le Figaro

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O presidente do Brasil, Michel Temer, durante uma cerimônia no Palácio do Planalto, em 5 de dezembro de 2016. REUTERS/Adriano Machado

"Brasil está ameaçado de paralisia", foi a manchete escolhida pelo jornal Le Figaro para repercutir os efeitos da decisão do ministro do STF de autorizar investigações sobre ministros, congressistas e outros representantes da classe política do país.


"Os brasileiros estão apavorados com o escândalo de corrupção da Odebrecht, que atinge em cheio a classe política até o alto escalão do governo", afirma o jornal, ilustrando a reportagem com uma foto do presidente Michel Temer de cabeça baixa. A legenda informa que ele desviou o equivalente a 38 milhões de euros para financiar a campanha de seu partido. Le Figaro relata que Temer foi citado na acusação, mas não pode ser investigado pela imunidade que o protege até o fim do mandato, em 2018.

Outras personalidades citadas pelo jornal no meio da montanha de dinheiro ilegal usado para financiar campanhas políticas foram o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que teria se beneficiado de 4,5 milhões de euros por ocasião das Olimpíadas de 2016, e Aécio Neves, apresentado como líder de um grande partido.

"Os valores desviados dão vertigem nos brasileiros, que enfrentam uma grave crise econômica, e são confrontados com os detalhes do dinheiro da corrupção revelados pouco a pouco pelo escândalo tentacular", escreve Le Figaro.

A reportagem dá destaque à declaração de Marcelo Odebecht de que ele "não conhece um político do Brasil que não tenha sido eleito com caixa 2". A publicação de seu depoimento era esperada com muita ansiedade pela classe política, que tinha medo do efeito devastador sobre a população brasileira, que se encontra desiludida e obrigada a apertar o cinto devido à maior crise econômica em décadas.

Denúncia envolve vários ex-presidentes

Le Figaro lembra a seus leitores que as reações têm origem na decisão do ministro Edson Fachin de levantar o sigilo dos depoimentos à operação Lava Jato, após ter autorizado a abertura de investigação contra 78 políticos, entre ministros, parlamentares e outras personalidades políticas por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

"Os brasileiros chamam a lista dos políticos acusados de corrupção de 'fim do mundo' ", escreve a publicação. O diário francês reproduz uma declaração do secretário-geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, de que se trata de uma "fotografia em alta definição que mostra a necessidade urgente de uma reforma política no Brasil". Ele defende ainda uma mudança radical na prática política no país.

A reportagem informa ainda que a lista de acusados inclui os ex-presidentes José Sarney, Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff. Segundo o depoimento de Marcelo Odebrecht, Lula e Dilma tinham conhecimento das práticas da empreiteira, acrescenta o texto.

Cabe ao Supremo Tribunal Federal analisar as provas e os depoimentos e isso poderá levar meses, até as eleições do ano que vem. Os políticos envolvidos clamam inocência e os partidos acusados já preparam o contra-ataque, diz o jornal, afirmando que vários projetos de lei já circulam no Congresso para limitar o poder dos magistrados e mudar a lei eleitoral.

Reforma da aposentadoria pode ser “vítima colateral”

Apesar de o presidente Michel Temer descartar o risco de uma paralisia governamental, Le Figaro afirma que a reforma do sistema de aposentadorias, essencial para a credibilidade do governo, pode ser uma das vítimas imediatas do terremoto político e jurídico provocado pela Lava Jato.

Isso porque o ministro da Economia já adiantou que a reforma deve ficar para o segundo semestre, enquanto o vice-presidente da Câmara estima que é melhor retirar definitivamente a proposta para não perdê-la, já que o momento não é favorável para aprovar qualquer reforma que seja no Congresso.