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Com brasileiros nas ruas, Senado acelera análise de PEC por diretas

O áudio da conversa entre o presidente Michel Temer e o dono da JBS, Joesley Batista, foi divulgado na noite desta quinta-feira (18) e a reação nas ruas foi imediata. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado deve analisar na próxima terça-feira (23) uma PEC que prevê eleições diretas.

Luciana Marques, correspondente da RFI em Brasília

Houve manifestações em várias capitais do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Recife e Fortaleza. Em Brasília, protestos e buzinaços ocorreram em frente ao Palácio do Planalto. Os manifestantes também fizeram caminhada pela Esplanada dos Ministérios.

No próximo domingo estão previstos novos protestos, convocados pelo grupo “Vem Pra Rua”, por partidos políticos de oposição e por centrais sindicais, como a CUT. A defesa das “Diretas Já” ganhou força e parlamentares falam na aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para que ocorram eleições diretas, e não indiretas, quando o novo presidente é escolhido pelo Congresso Nacional.

No Congresso, parlamentares pedem a renúncia de Temer. No plenário do Senado, o senador Lindberg Farias (PT), pediu que "a voz das ruas seja ouvida". "A sociedade brasileira quer eleições diretas e não aceita que esse Congresso eleja um presidente de forma indireta. Se for eleito, esse presidente não vai ter força política. É preciso alguém com legitimidade popular para tirar o país da crise", declarou.

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado deve analisar na próxima terça-feira (23) uma PEC que prevê eleições diretas em caso de renúncia ou afastamento do presidente até o terceiro ano mandato. Hoje a Constituição prevê eleições indiretas. Também aumentou a pressão para que Tribunal Superior Eleitoral casse a chapa Dilma-Temer. O julgamento será retomado no dia 6 de junho.

Pedidos de impeachment

No total, já são oito pedidos de impeachment nas mãos do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, quem deve decidir sobre a abertura do processo diante das denúncias de crime de responsabilidade que pesam contra Temer. Um dos pedidos protocolados foi assinado por seis partidos: PT, PDT, Rede, Psol, PCdoB e PSB.

O senador Randolfe Rodrigues, do partido Rede, que também assinou o documento, conversou com a RFI. "Não existe mais condição política ou moral do senhor Michel Temer continuar na presidência da República. Vamos reforçar a pressão junto ao Tribunal Superior Eleitoral, além de pedir o quanto antes a abertura dos pedidos de impeachment que foram protocolados", disse.

Governabilidade

No Congresso, a situação ficou complicada - as reformas propostas por Temer foram paralisadas. O PPS decidiu deixar o governo e o ministro da Cultura, Roberto Freire, entregou ao presidente seu pedido de afastamento do ministério. Já o ministro da Defesa, Raul Jungmann, vai permanecer em função da relevância do cargo.

O PSDB recuou e diz que fica no governo. O ministro das Cidades, Bruno Araújo, já tinha até anunciado demissão. Mas o presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati, que ocupou o cargo no lugar do senador afastado Aécio Neves, disse em nota que o PSDB pediu aos seus quatro ministros que permaneçam em seus cargos diante da crise econômica sem precedentes no país. O PR informou que permanece na base governista no Congresso e renova a confiança no trabalho do presidente Michel Temer.

Repercussão da divulgação do áudio

O governo transcreveu o áudio divulgado e informou que o presidente Michel Temer não acreditou na veracidade das declarações de Joesley Batista. O empresário estava sendo objeto de inquérito e por isso parecia contar vantagem, segundo a Presidência. Na gravação, Temer incentivou a compra de silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, que está preso.

O relator da Lava Jato, ministro Edson Fachin, autorizou a abertura de investigação contra o presidente. O governo espera que esse inquérito seja arquivado.

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