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Crescimento de 1% do PIB brasileiro não convence mercados, diz La Croix

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O jornal francês La Croix desta sexta-feira (2) analisa o crescimento de 1% da economia brasileira no primeiro trimestre deste ano, apesar da crise política pela qual está passando. Reprodução La croix

O jornal francês La Croix fala sobre a recuperação da economia brasileira na edição que chegou às bancas nesta sexta-feira (2). "Em plena crise econômica, o Brasil sai da recessão" é a manchete de uma matéria publicada pelo diário que lembra que 1% não é suficiente para empolgar os investidores.


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou na quinta-feira (1°) que o Produto Interno Bruto do Brasil (PIB) teve uma expansão de 1% no primeiro trimestre deste ano - o primeiro em oito meses. "Enfim, uma boa notícia para o Brasil, que atravessa um dos piores períodos de sua história", escreve o repórter Thomas Engrand.

La Croix lembra que, depois de dois anos de recessão, o país encontrou finalmente o caminho do crescimento. Mas "o gigante sul-americano está longe de ter resolvido o problema devido às inúmeras incertezas que pairam sobre o país". Além disso, "a alta não permite recuperar o encolhimento acumulado de 3,6% da economia no ano passado e 3,8% em 2015", escreve o jornal.

As autoridades comemoraram a notícia ontem, indica La Croix. O presidente Michel Temer já havia começado a festejar por antecipação na terça-feira (30) o que chamou de "o fim da pior recessão da história do Brasil", enquanto o ministro da Fazenda Henrique Meirelles saudou "um dia histórico" e lembrou que agora é preciso percorrer o resto do caminho para se chegar à recuperação econômica total.

Crise política prejudica a recuperação econômica

Entretanto, sublinha o jornal, "a boa notícia não convence os mercados e a incerteza predomina, já que o país atravessa uma grave crise política que envolve as mais altas esferas do governo". A matéria lembra que uma classe política inteira está implicada em escândalos de corrupção. "Depois de terem realizado a destituição de Dilma Rousseff é a vez de Michel Temer estar na mira da Justiça", escreve La Croix.

Para o diário, "o mandato de Temer está por um fio", devido a uma comprometedora gravação telefônica em que o presidente parece dar seu acordo para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, hoje preso. "Mas, ainda que seja visado por uma investigação por corrupção e obstrução da justiça, o atual chefe de Estado recusa categoricamente renunciar e ratificou sua intenção de manter suas polêmicas reformas para tirar o país da recessão", publica La Croix.

Essa instabilidade preocupa os mercados. A agência de notação Standard and Poor's advertiu na semana passada que poderia abaixar a nota de crédito soberano do Brasil em moeda local e estrangeira. A razão é, lembra La Croix, "uma crescente incerteza política".