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Imprensa Brasil Michel Temer Julgamento TSE

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Resultado do julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE é incerto, diz Les Echos

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O ministro Antonio Herman Benjamin, relator do julgamento da chapa Dilma-Temer, no TSE. José Cruz/Agência Brasil

A imprensa francesa acompanha com interesse o julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE. Nesta quinta-feira (8), tanto o jornal Les Echos quanto Libération publicam artigos sobre a retomada do processo que pode levar à destituição do presidente brasileiro. O diário econômico diz que o resultado do julgamento é incerto.


Michel Temer é chefe de Estado conservador, afirma Libération, lembrando que o atual líder era vice-presidente e chegou ao poder supremo do país, no ano passado, após o impeachment de Dilma devido as pedaladas fiscais. O início do julgamento foi marcado por debates violentos e troca de farpas entre os juízes do tribunal sobre os itens incluídos no dossiê de oito mil páginas que contém a transcrição de 80 horas de depoimentos, aponta o jornal progressista.

Temer poderá perder seu mandato se o Tribunal Superior Eleitoral considerar que a campanha de 2014 teve financiamento ilegal, explica Les Echos. O correspondente do jornal em São Paulo, Thierry Ogier, diz que desde terça-feira (6) a atenção dos brasileiros está fixada em um prédio estranho de Brasília, a sede do TSE, que tem três cúpulas brancas e foi uma das últimas obras do arquiteto Oscar Niemeyer.

Relator vai pedir cassação da chapa

Segundo o correspondente, a tensão é grande no plenário da casa e o resultado do julgamento incerto. O relator do TSE, Herman Benjamin, deve recomendar a anulação da eleição de 2014, a cassação da chapa e, consequentemente, o afastamento de Temer, indica o artigo. "Só os índios que vivem isolados do resto do mundo na Amazônia ignoram que teve financiamento ilegal", diz o relator, citado pelo Les Echos.

A decisão final, que pode ser anunciada já nesta quinta-feira, tem que ser tomada pela maioria dos sete ministros que compõem o tribunal. Mas o processo pode ser prolongado por várias semanas se um dos juízes pedir a suspensão dos debates para examinar as provas. O cientista politico David Fleischer, entrevistado pelo jornal, acredita nessa interrupção, que vai atrasar ainda mais o julgamento, iniciado em abril.

No entanto, a suspensão do processo pode se voltar contra Temer, acredita outro especialista ouvido pelo diário. Christopher Garman estima que as investigações sobre os escândalos de corrupção envolvendo o presidente vão continuar enfraquecendo ainda mais Temer e isso levaria, finalmente, o TSE a condená-lo.

Resumindo, as hipóteses sobre o desfecho do julgamento são numerosas. Dois ministros do TSE foram nomeados pelo próprio Temer e a maioria dos juízes da casa pode, inclusive, inocentar o presidente. Se, ao contrário, eles decidirem invalidar a chapa Dilma-Temer, o atual chefe de Estado brasileiro poderá recorrer.

Escândalos de corrupção

O julgamento no TSE é apenas um dos problemas de Temer, salienta Les Echos. O jornal lembra as gravações feitas por Joesley Batista sugerindo que o presidente avalizou a compra do silêncio de Eduardo Cunha. Temer tem também esta sexta-feira (9) para responder as 80 perguntas formuladas pela Polícia Federal sobre seu envolvimento nos escândalos de corrupção.

O artigo conclui dizendo que o presidente brasileiro está determinado a não abandonar o poder e que, por enquanto, a mobilização popular nas ruas parece dar uma trégua. O correspondente não cita o movimento pelas Diretas Já, que ganha as principais cidades do país, mas diz que os sindicatos já convocaram uma nova greve geral para o dia 30 de junho.