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Le Monde diz que Sérgio Cabral encarna "grandeza e decadência" do Brasil

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O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Agência Brasil

O jornal francês Le Monde afirma na edição desta quarta-feira (14) que dificilmente um político encarnou tão bem a grandeza e a decadência de um país como o ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral.


"Antes acostumado a festas chiques, viagens de helicóptero e  jantares sofisticados, em uma época em que o Brasil, com a riqueza do petróleo, brilhava no cenário internacional, o político foi condenado na terça-feira (13)a 14 anos e 2 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro", escreve a publicação.

Cabral, em prisão provisória desde novembro do ano passado, foi levado imediatamente à sua cela de 16 m² após o anúncio da sentença, que o jornal chama de "severa", pelo juiz Sergio Moro.

O ex-governador foi condenado no âmbito da investigação da Lava Jato, que o Le Monde chama de “interminável operação judicial que trouxe à luz uma rede de corrupção que atingiu o conjunto da classe política brasileira”.

Moro disse que seria uma afronta deixar em liberdade um homem que se enriqueceu com milhões de reais de maneira desonesta, enquanto a população está submetida a um plano de austeridade que a obriga ao sacrifício. Ele resumiu, em sua ata de 134 páginas, que o processo trata de “uma versão criminosa de governantes ricos e de governados pobres”.

O ex-governador é acusado de receber R$  2,7 milhões em propinas durante a construção do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj) pela Petrobras. Trata-se da primeira de uma série de acusações, que podem vir a aumentar a sua pena nos próximos meses.

Eleito em 2007

O Le Monde lembra que Cabral é do PMDB, o mesmo partido do presidente Michel Temer, e entrou na política nos anos 1980. Apadrinhado por nomes importantes, ele subiu progressivamente às altas esferas da política carioca até se eleger governador do Rio em 2007.

"Ele reivindica uma bela amizade com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contribuiu para a escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016", diz a reportagem.

Mas seu segundo mandato, iniciado em 2011, foi marcado por um acúmulo de deslizes, que provocaram a sua saída do governo três anos depois.

O jornal afirma que, com essa nova condenação, o juiz Sergio Moro mostra, mais uma vez, sua intransigência. "Ele continua seu trabalho de justiceiro com o objetivo de prender os colarinhos brancos, os bilionários e os políticos", finaliza.