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Rio de Janeiro Brasil Carnaval Crise

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Imprensa europeia repercute ameaça de cancelamento do carnaval do Rio de Janeiro

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Escolas de samba afirmam que organizar desfiles do Rio de Janeiro sem apoio da prefeitura é "inviável" REUTERS/Sergio Moraes

 Vários jornais internacionais repercutiram nesta quinta-feira (15) o risco de cancelamento dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro no carnaval de 2018. O anúncio da possível suspensão foi feito em resposta à ameaça de corte de metade da verba concedida pela prefeitura ao evento.


A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) divulgou uma nota na qual informava que o corte do orçamento anunciado pela prefeitura tornava inviável o desfile do ano que vem das escolas do grupo especial. Mas antes mesmo desse anúncio, o diário francês Le Figaro já acompanhava o assunto. Na terça-feira (13), o jornal trouxe uma reportagem na qual explicava que “a festa nacional, que já está meio doente, corria a risco de perder parte de seu orçamento”.

O site da revista francesa Le Point traz uma matéria na qual explica o imbróglio. O texto relata que o prefeito do Rio de Janeiro, Marcello Crivella, cogitou cortar pela metade a subvenção de R$ 2 milhões dada às 12 principais escolas que participarão do “suntuoso desfile no sambódromo” em fevereiro de 2018. “Com essa economia, ele pretende dobrar de US$ 3 para US$ 6 o valor diário atribuído às 15 mil crianças que frequentam as creches municipais.

Mas a notícia não caiu nada bem no mundo do carnaval, “que já fazia malabarismos para planificar os festejos do próximo ano em meio a uma forte crise econômica”, avalia jornal espanhol El Mundo. “O maior espetáculo da terra, como dizem os cariocas, está em perigo”, sentencia o diário.

Crescimento do fundamentalismo religioso no Brasil

O jornal francês Le Parisien – Aujourd’hui en France explica que algumas escolas de samba beneficiam do apoio financeiro dos bicheiros. Porém, “a maioria dos desfiles depende de subvenções públicas e patrocinadores, que estão cada vez mais raros por causa da crise”.

El Mundo comenta que o setor turístico e hoteleiro criticou a posição do prefeito. Crivella “ignora deliberadamente o carnaval quando participa de eventos de promoção turística no exterior, apesar do setor ser visto como ‘a melhor saída a curto prazo’ para a crise que enfrenta a cidade e o estado do Rio”, comenta o jornal, citando o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Alfredo Lopes.

O diário espanhol também ressalta que “o Brasil vive, nos últimos anos, um crescimento do fundamentalismo religioso”, que estaria por trás das medidas anunciadas pelo prefeito do Rio de Janeiro. A partir de comentários do historiador Luiz Antonio Simas, o texto explica que um dos objetivos desse corte de orçamento seria “preparar o aniquilamento do carnaval” brasileiro.