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Noruega reduz pela metade repasse para Amazônia, apesar de visita de Temer

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O presidente Michel Temer se encontrou com a primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, em Oslo nesta sexta-feira (23).. NTB Scanpix/Hakon Mosvold Larsen/via REUTERS

A Noruega, principal financiador dos programas de proteção da floresta amazônica, advertiu nesta sexta-feira (23) que reduzirá à metade o repasse ao Fundo Amazônia em 2017, em consequência da aceleração do desmatamento no Brasil.


Apesar do discurso do presidente Michel Temer nesta sexta-feira (23) em Oslo, onde o chefe de estado insistiu no compromisso do governo brasileiro contra o desmatamento, a primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, foi taxativa: “Uma aceleração registrada do desmatamento provocará uma redução dos aportes da Noruega", completou. Temer termina na Noruega o giro internacional que contou com uma vista à Rússia.

O país escandinavo contribuiu até o momento com US$ 1,1 bilhão ao fundo de proteção da floresta amazônica, e é o maior financiador internacional do Fundo Amazônia, criado pelo Brasil em 2008.

Forças brasileiras que desejam “enfraquecer a legislação ambiental”

"Expressei minha inquietação com relação ao fato de que o desmatamento no Brasil aumentou consideravelmente e que existem forças no Brasil que desejam enfraquecer a legislação do meio ambiente e reduzir as áreas protegidas", declarou a primeira-ministra norueguesa durante a visita do presidente brasileiro, Michel Temer.

O repasse anual da Noruega, principal contribuinte, muda de acordo com o ritmo do desmatamento, calculado segundo um método decidido pelo governo brasileiro. "Em 2017, o aporte vai ser dividido por dois, inclusive um pouco mais", declarou a ministra norueguesa do Meio Ambiente, Vidar Helgesen.

Carta ao ministro brasileiro do Meio Ambiente

Em uma carta enviada este mês para seu homônimo brasileiro, José Sarney Filho, ele alertou que a contribuição financeira pode até cair para zero se houver nova aceleração do desmatamento. "Se eles não atingirem os objetivos, haverá menos pagamentos, se houver", confirmou Solberg, excluindo qualquer renegociação do acordo com o Brasil, que vai até 2020.

As autoridades brasileiras tentam deter a tendência negativa. Recepcionado por protestos em Oslo em defesa da população indígena brasileira, Temer confirmou o veto a duas medidas que teriam reduzido em quase 600 mil hectares a área protegida da floresta amazônica. Esta decisão seria uma manobra simples para “salvar as aparências” segundo o Greenpeace, que afirma que nada impede que o conteúdo destas medidas sejam novamente incluídas em um próximo projeto de lei.

"De meados de 2015 a meados de 2016 foi constatada uma aceleração do desmatamento. Isto se traduz em menos repasses em 2017", afirmou. O desmatamento aumentou 29% em 2016 e 24% em 2015, de acordo com dados oficiais do governo brasileiro.