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Para revista Le Point, Brasil está diante de "escolhas fatídicas" para a região

Por Adriana Moysés

A denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer colocou o Brasil nas manchetes da imprensa francesa ao longo da semana. Além das reportagens e análises nos jornais diários, a crise brasileira é tema de um extenso editorial na revista semanal Le Point, datada de 29 de junho de 2017.

Na opinião do ensaísta liberal Nicolas Baverez, intelectual formado em História, Direito e na Escola Nacional de Administração pública francesa (ENA), autor do editorial, o Brasil se encontra em uma situação de "escolhas fatídicas" não só para o futuro dos brasileiros, mas para toda a América Latina, uma vez que o país representa 60% da economia do continente.

Metódico, o ensaísta mostra, apoiado em indicadores, que o Brasil atravessa a pior crise de sua história, com uma queda de 7,2% do PIB entre o fim de 2014 e o início de 2017, um dado que simboliza as dificuldades dos países emegentes e os contrastes dos BRICS. "China e Índia continuam em uma trajetória de desenvolvimento intensivo, enquanto Rússia, Brasil e África do Sul mergulharam na recessão", observa.

Simultaneamente à crise econômica, o Brasil está paralisado pela desintegração do sistema político e da classe dirigente, sob o efeito dos escândalos da Petrobras e da Odebrecht, que é suspeita de gastar US$ 1 bilhão em propina para comprar decisores públicos em toda a América Latina, destaca o texto. Depois da destituição da ex-presidente Dilma Rousseff, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral de absolver a chapa Dilma-Temer do crime de abuso de poder político só aumentou a desilusão dos brasileiros, nota o editorialista da Le Point.

Responsabilidades de Lula e Dilma

Pensador liberal, Baverez considera que a atual crise econômica foi causada pelas políticas inconsequentes dos ex-presidentes Lula e Dilma, mais do que pelo fim do que chama de "superciclo das matérias-primas". "A situação infernal em que o país se encontra não é uma fatalidade, e sim a consequência de um crescimento estimulado artificialmente", escreve o editorialista.

Ele considera que a denúncia de Temer por corrupção passiva dificulta a aprovação de reformas cruciais ao país, como a contenção dos gastos públicos, o aumento da idade da aposentadoria, a reforma trabalhista e a retomada dos investimentos em infraestrutura. Sempre apoiado em números, Baverez mostra que o Brasil vai demorar para arrumar a casa e se livrar da corrupção. "A questão é que a evolução do Brasil é decisiva para a América Latina pelo peso econômico do país no continente", ressalta o texto.

Entre os programas liberais aplicados atualmente às economias da Argentina e da Colômbia, a Le Point não tem a menor dúvida de que estas são opções melhores do que a "demagogia mortífera" que tomou conta da Venezuela. Sem saber no que vai dar o mandato de Temer, o editorialista conclui que o Brasil é atualmente o principal campo de batalha, na região, do combate entre a democracia e o populismo.

A revista semanal L’Express destaca que, depois da denúncia da Procuradoria, Temer desistiu de participar da reunião de cúpula do G20, nos dias 7 e 8 de julho, em Hamburgo, na Alemanha. L’Express lembra que Temer fez sua estreia internacional como presidente da República justamente em uma cúpula do G20, em setembro passado, na China. De lá para cá, a situação do peemedebista se complicou.

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