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Condenação de Lula é um terremoto político no Brasil, diz imprensa internacional

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Jornais internacionais lembram que Lula é o primeiro ex-presidente brasileiro condenado pela justiça. REUTERS/Ueslei Marcelino

A imprensa internacional reagiu imediatamente ao anúncio da condenação do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (12). Jornais ressaltam o impacto que a notícia deve ter nas eleições de 2018, para as quais o petista aparece como favorito.


“Um pequeno terremoto político aconteceu no Brasil”. Foi com essas palavras que o jornal português Público noticiou a condenação. O diário lembra que o momento é histórico, pois mesmo se vários presidentes brasileiros chegaram a ser investigados e acusados de corrupção, inclusive durante a ditadura, Lula é o primeiro ex-chefe de Estado a ser condenado.

“Fernando Collor de Mello, o primeiro líder eleito pelo voto direto após a redemocratização do país, foi acusado de corrupção um mês e meio antes de ser destituído do cargo num processo de impeachment. Mas ele foi julgado e absolvido por falta de provas", lembra o diário português.

O jornal francês Les Echos ressalta o lado inédito da decisão judicial, que apresenta como uma “tempestade”. O correspondente do diário econômico em São Paulo relata que “Michel Temer acaba de ser acusado de corrupção”, mas que Lula é o primeiro ex-chefe de Estado a ser condenado.

A rede de televisão francesa France24 noticia que o petista foi condenado “por corrupção e lavagem de dinheiro”. A emissora diz que “o ex-presidente é visado por outros quatro processos”.

O jornal norte-americano The New York Times, que também deu destaque para o assunto em seu site, enfatiza a importância da condenação, que atinge um político que “exerce enorme influência em toda a América Latina há décadas”. Já o britânico The Guardian se concentrou no perfil de Lula, “um homem que saiu da pobreza na infância para se tornar chefe de Estado”. Para o diário, essa condenação representa uma queda incrível para “o primeiro presidente operário do país”.  

Eleições de 2018 comprometidas

Mas todos os jornais que repercutiram a notícia estão bem mais preocupados com o futuro do país. "Se a condenação de Lula for confirmada após o recurso, o ex-chefe de Estado irá para a prisão e não poderá se apresentar na eleição presidencial de 2018”, explica o francês Le Figaro. O jornal fala de “um golpe duro para o Partido dos Trabalhadores”, já que a legenda “aparece como favorita nas pesquisas, com cerca de 30% dos votos no primeiro turno, praticamente o dobro do deputado de extrema-direita Jair Bolsonaro”, analisa o diário.

O jornal português Público pondera essa popularidade do petista. “Com uma carreira de mais de 40 anos de intervenção pública, Lula desperta paixões e críticas em doses iguais”, analisa. Ele aparece como o “mais bem posicionado nas sondagens para as eleições de 2018, e, ao mesmo tempo, aquele que obtém a maior taxa de reprovação, 45%”.

O jornal argentino El Clarín enfoca o possível impacto nos mercados. “A Bolsa de São Paulo, que operava estável durante a manhã, despontou rapidamente e subia mais de 1% no início da tarde, enquanto o Real se fortalecia diante do dólar”, comenta.

Já o jornal francês Le Monde se contentou em um primeiro momento em reproduzir informações das agências de notícias, apesar de já informar a reação da defesa de Lula, que se prepara para contra-atacar. O vespertino explica que os advogados do ex-presidente prometeram apelar e provar “sua inocência em todas as cortes imparciais, incluindo as Nações Unidas".