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Condenação de Lula não torna panorama político mais alentador, diz El País

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Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo juiz Sérgio Moro. RFI

A imprensa internacional dá amplo destaque à condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. Jornais ressaltam que Lula vai recorrer da sentença proferida pelo juiz Sérgio Moro e comentam o impacto da condenação nas eleições de 2018.


"A condenação é uma imensa derrota para o ícone da esquerda que alimentava sérias ambições de disputar a eleição presidencial", afirma o francês Le Monde. A responsabilidade dos três juízes que irão analisar o recurso é imensa e pode haver uma esperança para os simpatizantes do petista, observa o texto.

Citando o jornal O Estado de São Paulo, Le Monde relata que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), de Porto Alegre (RS), se pronunciou contra decisões de Moro em 38% dos casos, seja inocentando os condenados, como aconteceu com o ex-tesoureiro do PT Joao Vaccari Neto, ou reduzindo as penas aplicadas por Moro.

Ouvido pela reportagem, o professor de Direito da FGV do Rio de Janeiro Thiago Bottino aponta um julgamento político. "O juiz Sérgio Moro gosta de dizer que nenhum cidadão está acima da lei, mas aplicou uma pena maior a Lula alegando que a responsabilidade dele enquanto presidente era maior. Isso é um julgamento político", destaca o professor.

O jornal francês Les Echos ressalta o lado inédito dessa notícia, que ele apresenta como uma “tempestade”. Já o britânico The Guardian se concentrou no perfil de Lula, “um homem que saiu da pobreza na infância para se tornar chefe de Estado”. Para o diário, essa condenação representa uma queda incrível para “o primeiro presidente operário do país”.

Em Portugal, o jornal Público ressalta que Lula "é o primeiro presidente do Brasil condenado por um crime", acrescentando que até o julgamento do recurso o petista permanece em liberdade.

Futuro sem Lula?

Pela primeira vez em décadas, a política brasileira imagina um futuro sem Lula, diz o espanhol El País em manchete de primeira página. El País relata que a avenida Paulista mostrou ontem, com as manifestações pró e anti-Lula, a divisão que reina no país com a condenação "de seu político mais querido e ícone da esquerda latino-americana".

O diário espanhol observa que a condenação não torna o panorama político brasileiro mais alentador. "O PT não encontrou um sucessor para Lula, os demais candidatos tradicionais estão praticamente fora do páreo e o principal beneficiado é o deputado Jair Bolsonaro, o Trump brasileiro, por seus arroubos machistas, sexistas e autoritários."

O Público também nota que a convulsão política e as manobras e jogos de bastidores continuam em força em Brasília. "A aprovação da complexa reforma trabalhista pelo Senado deu alguma margem de manobra ao governo e provou que Michel Temer ainda não é um cadáver político. Mas nem o Planalto pode respirar de alívio, nem a base aliada de Temer no Congresso pode cantar vitória", adverte o jornal português.

O jornal norte-americano The New York Times enfatiza que a condenação de Lula atinge um político que “exerce enorme influência em toda a América Latina há décadas”.