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Temer está confiante em vitória para barrar denúncia no Congresso

A denúncia contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva será votada, nesta quarta-feira (2) na Câmara dos Deputados.

Luciana Marques, correspondente da RFI em Brasília.

O presidente Michel Temer está bem confiante na vitória, porque reúne a quantidade de votos suficientes para barrar a denúncia. O problema é que precisa contar com a presença da oposição, já que são necessários 342 deputados no plenário para que a votação se inicie. Às vésperas da sessão, Temer não perdeu tempo: nem almoçou nem jantou na residência oficial.

As refeições foram ao lado de deputados, em busca de apoio na Câmara. Ele recebeu outras dezenas de parlamentares durante todo o dia e pediu para que eles sepultassem logo a denúncia, para manter a sua honra.

Aos jornalistas, o presidente disse que estava confiante. Mas não vai abrir mão de nenhum voto sequer: 11 ministros, que são deputados, vão deixar os cargos por um dia para votar no plenário. Entre eles, o ministro da Educação, Mendonça Filho, que é do Democratas.

“Eu sou parlamentar. Exerço o cargo de ministro da Educação, mas eu tenho obrigações constitucionais como membro do Congresso Nacional. É um tema importante, o Brasil todo acompanha e, se for necessário o meu retorno para apreciar a matéria, não haverá a mínima dificuldade para mim”, afirmou o ministro da Educação e deputado do DEM, Mendonça Filho.

Apoio velado

O governo também conta com o apoio velado de deputados do PSDB e do PPS que podem até votar contra Temer, mas vão marcar presença no plenário, o que pode ajudar a compor o quórum que o governo precisa para derrubar a denúncia.

Esses deputados são a favor das reformas propostas pelo governo, mas não querem ter a imagem vinculada à baixa popularidade do presidente um ano antes das eleições. É o caso do deputado Rubens Bueno, do PPS,

“A oposição pode obstruir e é legítimo que o faça. Nós queremos votar pelo prosseguimento da denúncia. Os que quiserem fazer outro tipo de obstrução, farão. Nós não faremos. Até porque como ‘independentes’, nós queremos as reformas importantes para o Brasil. A oposição não quer, o que é bem diferente”, disse Rubens Bueno.

Estratégia da oposição

PT, PCdoB, Psol e PDT não devem marcar presença na sessão pela manhã e vão avaliar a situação na parte da tarde. Eles querem mais tempo para as discussões no plenário e vão fazer de tudo para tentar adiar a votação. A oposição reclama que o rito da sessão está reduzido, com a previsão de fala da defesa de Temer e do relator Paulo Abi-Ackel, do PSDB, que produziu o relatório vencedor na Comissão de Constituição e Justiça.

Ambos terão 25 minutos de discurso. Depois quatro deputados, dois a favor e dois contrários ao relatório poderão falar por 5 minutos cada. Neste momento, se houver pelo menos 257 parlamentares presentes, a discussão pode ser encerrada.

Como o presidente Temer vai acompanhar a sessão?

Antes mesmo da sessão iniciar, o presidente deve receber visita do seu advogado, Antônio Mariz, que vai falar na tribuna da Câmara. Temer vai assistir à votação do seu gabinete no Palácio do Planalto ao lado de ministros mais próximos. Também vai acertar com auxiliares o texto do pronunciamento que fará depois da decisão da Câmara.

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