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Dez anos depois, UPP "não faz diferença" para moradores de favelas no Rio

Por Leticia Constant

Faz 10 anos que as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) foram implantadas em favelas do Rio de Janeiro. O CESeC (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes) divulgou a quarta e última rodada da pesquisa sobre o projeto. Foram entrevistados 2.479 moradores de 118 comunidades de 37 territórios da cidade.

Os resultados apontaram que entre 55% e 68% consideram que que a presença da UPP "não faz diferença". Para a cientista social Silvia Ramos, uma das autoras do estudo, esse dado foi surpreendente.

“Olhando de fora temos sempre a impressão de que a experiência das UPPs foi algo definitivo para os moradores da favela, tanto para o bem como para o mal. Ou porque trouxe muita segurança em um certo momento ou porque os moradores detestam a polícia e aquela presença era vista como muito hostil”, analisa.

“Porém uma parte expressiva considera a UPP um serviço público como outro qualquer, que não está sendo bem prestado, que não é de boa qualidade, mas que não afeta tanto o cotidiano como nós imaginávamos. ”

Aspecto sensível

O conceito de polícia de proximidade, segundo o estudo, parece ser abafado pelas revistas corporais, a maioria em homens jovens e negros, e também por humilhações.

Para Silvia, “esse é um dos aspectos mais sensíveis da pesquisa”. “Verificamos que os moradores que são mais vezes abordados pela polícia, que têm as casas revistadas, são os mais reativos e os mais críticos à experiência. O que a gente observa é que aquele policial que ia realizar o trabalho comunitário e manter o diálogo com os moradores se transformou naquele policial ostensivo, hostil e que trata morador da favela, principalmente o jovem negro, praticamente como um inimigo”, explica.

Ela lembra que, “antigamente, o jovem era abordado quando saía da favela e transitava por um bairro de classe média alta do Rio de Janeiro”.

“Agora ele é abordado quando chega em casa e ao sair de casa. E essas experiências repetitivas, de desrespeito e muitas vezes de humilhação, são vividas como experiências de inimizade e de hostilidade. E isso produz sentimentos muito negativos. ”

Outro ponto relevante da pesquisa é a diferença de opinião de moradores brancos e negros.

“Nos extremos, vemos uma diferença acentuada de opiniões principalmente entre jovens negros e idosos brancos. Os moradores com mais de 60 anos tendem a ter uma opinião bastante favorável sobre a polícia, e os moradores de menos de 29 anos avaliam de forma muito crítica e muito negativa a experiência com a polícia e as perspectivas em relação ao futuro.”

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