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Brasil Eletrobras Privatização Michel Temer

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Jornal Le Monde dá destaque à privatização da Eletrobrás

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Eletrobrás: a maior empresa de energia elétrica da América Latina, produzindo 38% da energia consumida no Brasil. Source: Wikipédia, photo: Dario Alpern

Na sua edição desta sexta-feira (8), que vale para todo o final de semana, o jornal francês analisa o projeto de Michel Temer de privatizar a Eletrobrás e outras estatais brasileiras.


A reportagem do caderno de Economia do Le Monde começa com a reunião do BRICS, realizada em Xiamen, na China, entre 3 e 5 de setembro, quando o presidente Michel Temer abordou o presidente chinês Xi Jinping, oferecendo-lhe as estatais que o Brasil pretende privatizar. “Nós esperamos que a China possa se interessar”, declarou Temer.

O presidente brasileiro saiu da reunião satisfeito. A China confirmou seu interesse em ativos Latino Americanos, sobretudo brasileiros, na área de agricultura, infraestrutura e economia.

Reações positivas

O mercado de ações reagiu bem ao projeto de privatizações do governo de Michel Temer, que mira não só a Eletrobrás, mas também cerca de sessenta ativos entre autoestradas, portos, aeroportos e a Casa da Moeda, que imprime as notas do real. Após o anúncio do pacote de privatizações, as ações da Eletrobrás chegaram a ter uma valorização de 50%.  

Vendendo a Eletrobrás, mas mantendo o direito de veto no Conselho de Administração da empresa, a União espera receber cerca de R$ 20 bilhões. Se somados outros R$ 20 bilhões que o governo pode arrecadar com a venda de outros ativos e concessões, “a operação pode aliviar o déficit do Estado durante dois ou três anos”, comentou Felipe Salles, economista do banco Itaú Unibanco, em São Paulo.

“Vendendo o carro para pagar a gasolina”

“Que ironia!”, comentou Pedro Rossi para o Le Monde, professor de Economia da Unicamp. “O Brasil vende para o Estado chinês empresas públicas que, supostamente, são mal geridas pelo Estado brasileiro. É o Brasil se vendendo à China. Um suicídio”.  

Já para o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Energético da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Nivaldo de Castro, “não há estratégia (energética) alguma no projeto de privatização, a não ser a chegada de novos recursos para aliviar o déficit fiscal antes das eleições de 2018. O governo está vendendo o carro para pagar a gasolina”.

“Precipitação”

O jornal Le Monde termina concluindo que “certos analistas consideram precipitada a ação do governo brasileiro, que tenta mascarar a sua incapacidade de dar continuidade às reformas estruturais há muito tempo esperadas. Principalmente a reforma do sistema previdenciário que poderia, realmente, aliviar as finanças públicas”.