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Filme brasileiro participa de festival sobre a deficiência em Cannes

Por Elcio Ramalho

“A Família Dionti”, do cineasta carioca Alan Minas, é um dos filmes selecionados para o Festival Internacional do Filme sobre a Deficiência, que acontece até o dia 20 de setembro em Cannes, no sul da França.

Com altas doses de poesia e realismo mágico, o longa conta a história de uma mãe que se apaixona por outro homem, evapora e desaparece. O pai espera a volta da mulher, criando sozinho os dois filhos: Serino, que é seco e chora grãos de areia, e Kelton, que se derrete com a chegada de Sofia, uma garota de circo.

A partir desses elementos, “A Família Dionti” retrata de forma especialmente delicada o tema universal do primeiro amor. “Essas especificidades levadas ao extremo é que costuram essa parte de sermos quem somos, de assumir essa beleza na condição que somos”, explica Alan Minas.

Antes de se decidir de filmar na região da Zona da Mata, ao redor de Cataguases, o diretor conta que também tinha as opções do Nordeste ou de Goiás como locação. “Fiquei apaixonado desde a primeira vez que fui a Minas”, relata o cineasta, que, apesar de ter o nome do estado, é carioca.

Arrebatado pela mineirice

“O jeito mineirês de se falar, a paisagem, se inseriam de tal forma no filme, que acabei sendo tomado de forma impactante. Depois da primeira viagem, de volta ao Rio, refiz o tratamento, mudei profissões dos personagens, acrescentei locações”, acrescenta Alan Minas.

“O filme é para toda a família, uma criança de oito anos para cima já pode entender. O apuro subjetivo de cada um vai trazer uma leitura especial em cima das figuras de linguagem, da poesia, de metáforas. Mas a criança vai entender de que sentimento está sendo tratado na tela”, explica o cineasta.

Alan Minas fala de “A Família Dionti” como “o resgate de um cinema de poesia, voltado para a infância, fugindo da massificação sobretudo americana, de jovens comportados, de falas aceleradas, de ações rápidas – o objetivo é o brasileiro poder se espelhar ali, nas nossas raízes, que inspiram um cinema tão belo quanto”.  

Cena do filme "A Família Dionti", de Alan Minas. Divulgação

 

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