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Doria sobre Macri: "Somos rigorosamente iguais, sem nenhum retoque".

Em visita a Buenos Aires nesta sexta-feira (14), o prefeito de São Paulo João Doria foi recebido com honras de candidato à presidência da República pelo presidente argentino Maurício Macri.

Na rápida visita de apenas um dia, Doria deu a entender que quer ser candidato, mas que não anuncia a decisão para não ser indelicado com o seu padrinho político, o governador paulista Geraldo Alckmin.

A decisão do PSDB sobre a disputa entre os dois candidatos só deve acontecer em março de 2018. Até lá, João Doria deve continuar numa campanha discreta, pretendendo voltar à Argentina antes do final do ano para ser novamente recebido por Macri, sua grande fonte de inspiração política.

Privilégio concedido a poucos

É a primeira vez que Mauricio Macri recebe na Casa Rosada um prefeito de outro país. E raras são as reuniões em que o presidente argentino passa mais de meia hora. Com Doria, Macri passou uma hora, para a surpresa dos jornalistas que cobrem a Casa Rosada.

Ainda que a pauta da viagem cobrisse projetos municipais, uma vez que Macri foi prefeito de Buenos Aires por dois mandatos, os dois políticos trataram de questões mais próximas à agenda de um presidente da República.

Para a imprensa, Doria revelou que conversou com Macri sobre a economia brasileira, a cooperação entre Brasil e Argentina, a reforma trabalhista no Brasil - já que a Argentina também quer rever a sua legislação - e sobre a reforma previdenciária. Todos, enfim, assuntos nacionais que vão além do âmbito da administração municipal.

Afinal, é ou não é candidato?

Doria ainda nega que esteja em campanha presidencial, alegando que viagens como essa fazem parte do trabalho do prefeito de uma cidade “global”.

A explicação para essa espécie de "campanha encoberta" talvez esteja no cuidado com as consequências. As frequentes viagens de João Doria têm despertado o interesse do Ministério Público de São Paulo, que abriu um procedimento preparatório de inquérito para investigar e apurar supostas irregularidades, quando o prefeito parece viajar com o status de candidato à Presidência, durante o seu horário de expediente e, ainda mais grave, usando recursos públicos.

Almas gêmeas

Mauricio Macri e João Doria têm muito em comum. Ambos se dizem homens de ação mais do que de discursos, rejeitando rótulos ideológicos. Macri fez da cidade de Buenos Aires o seu trampolim para chegar à Presidência, assim como Doria pretende fazer de São Paulo.

A diferença é que Macri cumpriu dois mandatos. E Doria ainda está no começo do primeiro.

Outra diferença é que Macri construiu o seu próprio partido enquanto Doria está na política tradicional através do PSDB e, segundo ele, não há interesse em construir um novo partido que o leve à presidência da República.

Em entrevista coletiva, João Doria disse que Macri é "absolutamente inspirador" e que as ideias dos dois são "rigorosamente iguais, sem nenhum retoque".

Prévias do PSDB

Doria revelou que participaria de uma eleição prévia com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmim, para avaliar o grau de popularidade de um e de outro, que confirmasse quem tem mais chances de ganhar uma eleição nacional.

Por outro lado, Doria disse que admitir uma candidatura agora seria uma "indelicadeza" com Alckmim, seu padrinho político. E que entre os dois "não haverá nenhuma fissura, nenhuma separação" até o PSDB decidir quem será o candidato, provavelmente em março de 2018.

Prefeito com opiniões presidenciais

Enquanto isso, João Doria opina sobre a vida nacional como candidato a presidente.

Sobre a ação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que denunciou o presidente Michel Temer por participar de uma organização criminosa, João Doria disse "não acreditar que uma denúncia formatada ao apagar das luzes do mandato do procurador possa representar algo inovador que venha a comprometer Temer".

E sobre o depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sergio Moro, João Doria disse que "Lula tem uma mente criminosa, a serviço da mentira e do crime".

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