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Les Echos: Brasil se recupera, mas renda fica com os ricos e sem progresso dos pobres

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Os sinais de recuperação econômica no Brasil recebem destaque na edição desta segunda-feira (25) do jornal econômico francês Les Echos. Fotomontagem RFI lesechos.fr

Os sinais de recuperação econômica no Brasil recebem destaque na edição desta segunda-feira (25) do maior diário econômico francês – Les Echos. "Apesar das turbulências políticas, o gigante latino-americano retoma o caminho do crescimento", descreve o jornal, informando que a política de reformas iniciada pelo presidente Michel Temer deu ânimo aos investidores.


Entrevistado pela reportagem, o chefe-economista do banco francês BNP Paribas no Brasil, Marcelo Carvalho, afirma que "a economia brasileira está finalmente saindo do lamaçal", apesar da crise política perdurar no país. Temer irá apresentar sua defesa esta semana diante da Câmara dos Deputados, depois de ser formalmente acusado de liderar uma organização criminosa e de obstrução da justiça. "Mas os investidores parecem não se incomodar com esse contexto, a tal ponto que a Bolsa de Valores acaba de bater vários recordes de alta", informa o jornal.

Sinal dos tempos, a montadora francesa Renault, por exemplo, "trabalha a pleno vapor em três turnos". "A produção industrial, as vendas no varejo, o crédito ao consumidor, vários indicadores apontam para uma melhora", segundo o diário. Outra empresa francesa, a Pernod Ricard, é citada por ter registrado um aumento de vendas, depois de passar um ano de 2016 relativamente estável.

"Combater desigualdade é tarefa dura no Brasil"

Les Echos sublinha que essa recuperação econômica está sobretudo associada à política de reformas de Temer – trabalhista e previdenciária. O mercado conta com a continuidade desta dinâmica, explica o jornal.

Na mesma página, Les Echos lembra, no entanto, que o Brasil continua sendo um dos recordistas de desigualdade no mundo. O diário apresenta os resultados de vários estudos publicados recentemente que mostram que, apesar de ter vivido um período de crescimento importante a partir do ano 2000, portanto antes do período de crise atual, "o progresso não beneficiou a população mais pobre". No Brasil, 1% da população continua detendo cerca de um quarto da renda nacional, desde os anos 1950, de acordo com dados do Ipea.

Segunda constatação: enquanto 10% dos mais ricos concentravam a metade da renda nacional em 2001 (55,3%), conforme um estudo do economista francês Thomas Piketty, a fatia dos 50% de brasileiros mais pobres passou de 11% para 12% do total da população.

"O aumento de renda e da riqueza no topo da pirâmide foi tão forte quanto na base da pirâmide social, de maneira que a desigualdade não mudou", destaca a economista brasileira Monica de Bolle, tradutora de Piketty no Brasil.

"Os ricos brasileiros são como os ricos franceses, vivem de renda", compara o Les Echos.