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Temer provoca uma reviravolta na vida de Cesare Battisti, diz Le Monde

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A prisão do ativista italiano Cesare Battisti tem repercussão na imprensa francesa. Fotomontagem RFI/ lemonde.fr/20minutes.fr

Além da forte repercussão na Itália, a prisão do italiano Cesare Battisti na quarta-feira (4) na fronteira do Brasil com a Bolívia também é destaque na imprensa francesa nesta quinta-feira (5). O jornal Le Monde diz que a presidência de Michel Temer marca uma reviravolta na vida do ativista italiano.


O jornal explica que a polícia brasileira seguia Battisti discretamente. Quando o táxi com placa boliviana em que ele estava foi parado por policiais rodoviários e constatado que ele tentava atravessar a fronteira com US$ 5 mil e € 2 mil em espécie - quantia superior à autorizada -, a detenção foi imediata. "Battisti ainda tentou dizer que iria pescar", destaca o texto, mas a justificativa não convenceu.

Le Monde explica, citando reportagem do jornal O Globo, que o governo italiano pediu recentemente a extradição de Battisti ao governo Temer, uma solicitação que teria recebido sinal verde dos ministérios das Relações Exteriores e da Justiça. Por isso, a defesa de Battisti se antecipou e encaminhou ao Supremo Tribunal Federal, em 28 de setembro, um pedido de "habeas corpus" para que ele não fosse preso sem julgamento.

Advogados temem arbitrariedades em Brasília

Os advogados de Battisti pedem sua libertação imediata, alegando que a revisão da decisão tomada pelo ex-presidente Lula, em 2010, que concedeu residência permanente ao ativista no Brasil, é juridicamente inaceitável devido à prescrição de prazo. "A menos que deturpem o sistema judiciário brasileiro, o que parece ser o esporte favorito atualmente em Brasília", lamenta o advogado Igor Tamasauskas, relata Le Monde.

O jornal gratuito 20 Minutos recorda o périplo de Battisti desde que ele fugiu da Itália até se refugiar no Brasil, em 2004. A publicação lembra que ele viveu livremente na França de 1990 a 2004, beneficiado pela "doutrina Mitterand". Durante os dois mandatos do ex-presidente socialista (1981-1995), ativistas de esquerda e de extrema-esquerda encontraram refúgio seguro na França, mesmo tendo combatido regimes totalitários por meio da violência.

Ex-integrante do grupo Proletários Armados pelo Comunismo, Battisti foi condenado na Itália à prisão perpétua por quatro homicídios cometidos na década de 1970.