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"Incidente da Rocinha poderia ter acontecido em Copacabana", diz Marcelo Armstrong, operador de turismo da cidade

Por Mauricio Assumpção

Nesta segunda-feira (23), a turista espanhola Esperanza Ruiz Jimenez, 67 anos, morreu quando foi alvejada por tiros disparados por dois policiais, durante um passeio à comunidade da Rocinha, na cidade do Rio de Janeiro. Marcelo Armstrong é o dono da agência Favela Tour que, há 25 anos, leva turistas para conhecer as favelas da cidade.

“O que ocorreu foi uma tragédia sem precedentes”, disse Marcelo por telefone à RFI. “Em 25 anos de trabalho, seja na minha operadora ou na de um colega, nunca passamos por uma situação semelhante. Sobretudo porque a turista foi alvejada por um policial”.

A guerra entre os narcotraficantes da Rocinha, que há quatro semanas aterroriza a população da comunidade, coloca em cheque o conceito das UPPs e das comunidades supostamente pacificadas, frequentemente visitadas por turistas estrangeiros.

“Desde novembro de 2011, a Rocinha é considerada uma favela pacificada”, lembra Marcelo. “Então, como é possível haver confrontos entre gangues de traficantes numa favela que, segundo o governo, está pacificada? Se a questão da segurança não funciona mais no Rio de Janeiro, seja em áreas de favela ou não, essa questão é muito mais importante do que o fato de uma turista ter sido assassinada por um policial. A insegurança do Rio não está limitada à Rocinha. Ela tomou conta de toda a cidade”.

Culpa de quem?

Em última instância, quem seria o responsável pela morte de um turista alvejado por um policial numa área de evidente conflito entre traficantes fortemente armados?

“Qualquer tentativa de se responsabilizar a agência de turismo pelo que aconteceu é uma inversão que compreende um certo cinismo”, defende Marcelo. “O responsável único é o governo. O responsável único é aquele a quem pagamos muito para nos garantir o direito de segurança, previsto na Constituição, seja na Rocinha, seja em Copacabana ou em qualquer lugar”.

A morte da turista espanhola soma-se àquelas de outros turistas que, no Rio de Janeiro, entraram por engano em áreas de riscos sendo alvejados por traficantes. O incidente, ocorrido numa época de profunda crise política e econômica, em níveis estadual e federal, acentua a decadência do turismo no Brasil e, sobretudo, no Rio de Janeiro.

“A violência na cidade está afetando o turismo como um todo, e não só na Rocinha. Vários hotéis, albergues e agências de turismo estão fechando as portas. Como é possível isso, apenas um ano e três meses após os Jogos Olímpicos, que foram ‘vendidos’ aqui como um evento de megaproporção para trazer visibilidade ao turismo do Rio de Janeiro? Foi uma mentira! (...) Se existe um responsável por tudo isso, não sou eu, não são as agências, ninguém, a não ser o governo que mente para o povo”, concluiu Marcelo Armstrong.

 

 

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