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Jornais europeus criticam decisão da Câmara de poupar Temer pela 2ª vez

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Os jornais europeus repercutem a votação na Câmara dos Deputados que salvou o presidente Michel Temer de um julgamento por organização criminosa e obstrução de Justiça. Fotomontagem RFI

Os sites dos principais jornais europeus repercutem nesta quinta-feira (26) a votação, ontem, na Câmara dos Deputados, da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer por organização criminosa e obstrução da Justiça. O chefe de Estado escapou das acusações por 251 votos contra 233 em uma longa e conturbada sessão.


"O presidente brasileiro escapa novamente das acusações" é a manchete de uma matéria publicada no site do jornal francês Le Monde. O diário lembra que o presidente se livrou momentaneamente, mas as investigações continuam e ele poderá eventualmente ser processado depois do fim de seu mandato, no final de 2018.

Para Le Monde, a pouca diferença de votos mostra que o presidente tem um fraco apoio, o que poderia comprometer as reformas que ele defende para reequilibrar as contas públicas". A matéria lembra que vários deputados já são contra o projeto "que aumentaria o tempo de trabalho da maioria dos brasileiros".

Essa também é a opinião da revista Les Echos, que acredita que a promessa de Temer de "colocar o Brasil de volta nos trilhos", com medidas de austeridade, deve ficar comprometida a partir de agora. O semanário indica que, para conseguir os 172 votos necessários para escapar da Justiça, o chefe de Estado não poupou esforços. Les Echos cita como exemplo a retirada do aeroporto de Congonhas da lista das instituições a serem privatizadas ou diminuição das multas previstas no caso de crimes ambientais.

Freio no combate à corrupção

"O governo do Brasil aperta o freio das investigações de corrupção" é a manchete no site do jornal espanhol El Pais. Para o diário, as escapadas de Temer são "uma demonstração de que o governo e seus aliados conseguiram colocar limites às investigações sobre corrupção que sacodem os principais partidos brasileiros".

"As acusações contra Temer dariam para escrever um livro", avaliam os correspondentes do El Pais no Brasil. Ao lado do grupo com quem tomou o poder, o presidente "se protege debaixo do guarda-chuva do foro privilegiado", reitera. Além disso, quem os julga é o Supremo Tribunal Federal, "onde têm assento, entre outros, o juiz que aconselha o presidente juridicamente e que até há alguns meses era seu ministro da Justiça". Essa proteção legal permite que "outros grandes responsáveis pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff" façam o mesmo, diz El Pais, citando o líder do PSDB, Aécio Neves. 

A manchete do jornal português Público é "Deputados brasileiros salvam Temer pela segunda vez". O diário ressalta o boicote da oposição para o início da sessão e estampa a matéria com deputados opositores exibindo cartazes com as mensagens "Proteger Temer= a Compra de Votos", "Engavetar Temer= Negar a República", "Barganha Temer= a Retorno do Aécio".

3% da aprovação popular

"Michel Temer, o presidente impopular do Brasil, evita processo por corrupção" é a manchete de uma matéria no site do jornal The Guardian. Estampando uma foto do presidente na saída do hospital, ontem, o diário lembra que, antes da votação, Temer foi hospitalizado brevemente por uma obstrução urinária, mas reapareceu mais tarde sorrindo e fazendo o sinal de positivo com as duas mãos para as câmeras.

O diário salienta que, o chefe de Estado que tem apenas 3% da aprovação popular, passou semanas tentando angariar votos e prometendo favores em troca. A prática, diz The Guardian, é comum no Brasil, "governado há anos como um cartel de drogas, com políticos vendendo favores, votos e projetos a poderosos empresários". O jornal britânico ressalta que há suspeitas de que o presidente seja chefe do esquema de corrupção desde o impeachment de Dilma Rousseff e que, desde então, o PMDB teria recebido dezenas de milhões de reais de propina.

The Guardian também lembra que mais de um terço do Congresso é acusado de envolvimento em esquemas de corrupção. Isso, aliás, é uma grande preocupação dos brasileiros: a um ano das eleições, não há muitas opções de futuros possíveis presidentes.