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Brasil pressiona para aprovação de acordo UE-Mercosul, diz Le Figaro

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O vice-presidente da Comissão Europeia, Jyrki Katainen (centro), com ministros do Mercosul durante negociações em Brasília. REUTERS/Adriano Machado

O acordo de livre comércio em negociação entre o Mercosul e a União Europeia é tema de uma reportagem publicada nesta quarta-feira (22) no caderno de economia do Le Figaro. O jornal mostra que a grave e prolongada crise econômica que o Brasil atravessa fez o governo mudar de posição na política de comércio exterior, tradicionalmente protecionista, conforme explica o diário.


Agora, o governo de transição de Michel Temer defende o acordo entre os dois blocos e faz pressão para aprová-lo, desta Le Figaro. Nos últimos meses, as exportações ajudaram o Brasil a sair da recessão histórica em que esteve mergulhado. Ainda fizeram o país se abrir ao comércio internacional.

Segundo Roberto Jaguaribe, presidente da Apex - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos -, com a redução do consumo interno, as autoridades passaram a buscar oportunidades em outros mercados. O resultado é tangível: "nos primeiros nove meses do ano, o saldo da balança comercial brasileira atingiu US$ 51,2 bilhões contra US$ 34,2 bilhões registrados no mesmo período de 2016", observa Le Figaro.

As exportações do setor automotivo, incluindo carros e autopeças, aumentaram 50% graças aos investimentos feitos pela indústria. A recuperação da Argentina, parceiro comercial importante para o Brasil, também contribuiu para o aquecimento do comércio bilateral. Mas foi mais uma vez graças às riquezas naturais do país - o bom desempenho da agricultura e do setor de minérios - que as vendas externas cresceram, associadas à retomada da demanda mundial. A China, principal cliente do Brasil, pesou na balança. Resultado: as exportações agrícolas e de minérios tiveram alta de 25%.

Falta de visão estratégica

Le Figaro enfatiza que o Brasil é o primeiro produtor mundial de café, açúcar e laranja, também está entre os primeiros na produção de soja, aves e carne. No entanto, é apenas a 25ª potência comercial do mundo, o que seria um problema de falta de visão estratégica das autoridades a longo prazo.

O governo Temer considera que se o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia for assinado, é certo que as importações vão aumentar, sobretudo de produtos industrializados, mas globalmente haveria uma melhor dinâmica para as exportações da agroindústria brasileira. Brasília pressiona para uma conclusão rápida das negociações, mas Bruxelas resiste, sob a pressão dos agricultores franceses que temem perdas, conclui Le Figaro.