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Para Les Echos, reforma da Previdência ainda é insuficiente

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O jornal francês Les Echos desta segunda-feira (27) traz longa reportagem sobre as reformas no Brasil. Fotomontagem RFI/ LES ECHOS.FR

O jornal francês Les Echos traz nesta segunda-feira (27) uma longa reportagem sobre as reformas no Brasil. O correspondente em São Paulo analisa as recomendações do Banco Mundial para acabar com os privilégios do funcionalismo, na reforma da Previdência, e faz um balanço da reforma trabalhista para as empresas francesas instaladas no país.


No momento em que o presidente Michel Temer negocia no Congresso a aprovação da reforma da Previdência, o Banco Mundial divulgou um relatório crítico, mostrando que o Brasil gasta muito e gasta mal com seu sistema previdenciário. À exceção do Bolsa Família, as políticas públicas no Brasil costumam aumentar em vez de diminuir as desigualdades, relata o jornal francês. Os funcionários públicos, por exemplo, ganham dois terços a mais que trabalhadores nas mesmas funções no setor privado e ainda têm acesso a um sistema de aposentadoria bem mais vantajoso, que agrava o déficit público.

Les Echos explica que a reforma proposta pelo governo Temer prevê a unificação dos dois regimes, público e privado. Mas, na avaliação do Banco Mundial, o texto deveria ir além. Para economizar 1% do PIB, o organismo multilateral propõe taxar as pensões elevadas e o congelamento das remunerações.

O jornal francês acrescenta que o Banco Mundial também defendeu a privatização das universidades públicas, diante da constatação de que 40% dos alunos que frequentam o ensino superior público são de famílias abastadas. A solução para acabar com essa distorção, segundo o Banco Mundial, é privatizar as universidades e criar um sistema de crédito e de bolsas de estudo para os estudantes pobres.

Estado generoso com quem menos precisa

O Estado brasileiro é bem mais generoso com os ricos do que com os pobres, uma situação paradoxal. O Banco Mundial critica ainda os incentivos fiscais favoráveis à indústria, que enriquecem empresários mas agravam a situação das contas públicas.

Sobre a reforma trabalhista, que acaba de entrar em vigor, Les Echos ouviu empresas francesas instaladas no Brasil. Elas estimam que as ações de trabalhadores na justiça vão diminuir, o que é uma boa notícia diante das distorções criadas por um "sistema surrealista", nas palavras do vice-presidente de Recursos Humanos do grupo Casino. O executivo diz à reportagem que o Brasil registrava até agora 98% das ações trabalhistas apresentadas no mundo. Com as medidas introduzidas pela reforma, o número de pedidos de indenização deve cair, liberando os tribunais.

Outro fator positivo da reforma trabalhista evocado pelas empresas francesas instaladas no país é a negociação direta entre trabalhadores e empresários, sem a mediação de sindicatos. Consultores franceses acreditam que grandes grupos vão aplicar essa orientação rapidamente, para criar jurisprudência. O verdadeiro impacto sobre as contratações deve demorar mais tempo para ser notado.